Agricultores e agricultoras de Queimadas fazem balanço de 2011 e perspectivas para 2012

Á exemplo de muitos municípios no semiárido nordestino, o município de Queimadas registrou um ano de muitas chuvas com poucos lucros. Durante meses iniciais de 2011 o município registrou chuvas e em seguida longo perídio de estiagem, o que fez com que a agricultura registrasse perdas no plantio. No final do mês de abril iniciou-se grandes e ininterruptas chuvas que mantiveram o solo excessivamente molhado sem permitir o plantio de culturas em razão dos solos encharcados o que fez com que o ano registrasse perdas quase completas.

O tema foi evidenciado no Programa Domingo Rural do domingo(1º de janeiro) a partir de entrevistas feitas com agricultores e agricultoras componentes associados do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e lideranças de associações de agricultores daquele município transitório de Agreste e Cariri.

Antônio João da Silva, Antônio Tavares, é agricultor residente no Sítio Catolé, dialogou com Stúdio Rural e falou sobre o trabalho de estruturação de unidades rurais que vem sendo feito em todo o município numa parceria das famílias, associações e sindicato dos trabalhadores rurais que vem fazendo que as famílias consigam superar limitações em conseqüência das inconstâncias climáticas. “Esse ano foi um ano de muita chuva, mas a produtividade foi pouca, teve muitos agricultores que não plantou, cortou a primeira vez e não pôde mais plantar porque virou lama mesmo e não plantou e os que plantaram não deu pra lucrar”, explica o agricultor, acrescentando que são problemas diversos encontrados no município e cita a questão da insegurança no campo que tem feito com que muitas famílias se deslocassem para a cidade com medo de marginais que praticam arrombamentos, assaltos, roubos, furtos, agressões dentre outras.

Osmar Pereira Marinho mora na comunidade Ferraz, zona Sul do município, faz parte do STR como diretor e associado e disse que entraves importantes estão sendo trabalhados no município, principalmente na busca de maior participação por parte das mulheres e jovens no processo de organização das associações como forma de encontrar respostas para os diversos problemas e entraves que se registram no meio rural. “Sempre veio uma seqüência de bons trabalhos, o sindicato se empenhou nas tarefas buscando cada vez mais melhoramento para a agricultura da nossa região com intercâmbios com agricultores em outros municípios”, explica Osmar acrescentando que ações estruturadoras estão sendo implementadas pelas entidades locais vinculadas ao Pólo Sindical em parceria com a secretaria de agricultura do município a exemplo das barragens subterrâneas, cisternas de placas, cisternas calçadão, limpeza e melhoramento de barreiros e pequenas barragens que vêm contribuindo para a melhor capacidade de produção e produtividade nas pequenas propriedades do município durante toda a época do ano.

Antônio Carlos de Andrade é agricultor familiar na comunidade Baixa Verde, participou do Domingo Rural falando sobre as ações desenvolvidas no município, disse que a região em que mora registrou menos perdas na produção e disse que as ações estruturadoras vêm sendo intensificadas a partir das ações das diversas parceiras e garante que 2012 será um ano de muita luta e maior inclusão do jovem na organização sindical. “É preciso que a gente faça isso também, porque antigamente os sindicatos trabalhava mais os adultos, verdadeiros agricultores e hoje a vivência tem que ser outra, a gente tem que trabalhar a juventude também como o sindicato já está planejando agora em janeiro um encontro dos jovens agricultores e é preciso que a gente trabalhe nessa tecla, principalmente dentro das famílias”, explica.

Emerson Wallace Campos é componente da Secretaria de Agricultura de Queimadas, disse que a prefeitura vem fazendo um trabalho em sintonia com as associações de agricultores e o sindicato dos trabalhadores rurais como forma de desenvolver ações em sintonia com a vontade da agricultura familiar de cada localidade. “Estamos indo buscar condições pra que haja realmente esse desenvolvimento sustentável no município, a administração pública é complicada, a maioria das prefeituras estão desacreditadas por alguns órgãos, pra você ter idéia nós chegamos a 30 dias atrás na Universidade Federal de Campina Grande pra tentar desenvolver um trabalho junto com universidade e a universidade olhou pra gente e disse ser complicado trabalhar com prefeituras, o trabalho ia gerar um custo de R$ 900 reais para a universidade e elas comentaram que já tinha mais de 20 prefeituras em débitos com ela por conta deste trabalho já que era uma análise de água nos açudes e quando nós voltamos pra secretaria de agricultura, pra prefeitura que a gente deu o custo para a prefeitura e o pessoal da finança no outro dia o recurso estava depositado na conta da universidade”, explica a representação ao ilustrar o esforço que o executivo vem fazendo para dotar a prefeitura nas parcerias locais.

Maria Anunciada Flor Barbosa Morais é diretora presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais disse que o sindicato conseguiu cumprir grande parte das metas traçadas para serem executas no município e disse que 2012 será um ano de luta em parceria com as entidades do Pólo da Borborema e secretarias do executivo municipal. “Das ações que nós trabalhamos em nosso município, nós tivemos muito impacto com as mobilizações que trouxeram muitas surpresas para a mulherada com a Marcha das Margaridas em Brasília, a Marcha regional pela vida das mulheres e pela agroecologia que acontece no Pólo da Borborema que aconteceu em Queimadas esse ano também trouxe muito impacto, mulheres nas ruas de Queimadas falando dos impactos de seus trabalhos na agricultura familiar e também denunciando os abusos de violência contra a mulher”, exemplifica dizendo acreditar que 2011 foi um ano muito produtivo com reuniões e intercâmbios dentro e fora do município e do estado dentre outras.

Já a jovem agricultora Ana Paula Cândido Macêdo, é moradora na comunidade Bodopitá e componente da comissão da juventude do STR de Queimadas, disse que a juventude enfrenta muitos entraves para o processo de inclusão na agricultura familiar numa dinâmica de produção e produtividade que possam fazer com que as atividades torne-os agricultores com qualidade de vida no campo além do processo de violência camponesa que essa juventude vem enfrentando. “A gente tem uma deficiência bastante grande ainda, mas o encontro de jovens que estamos planejando para 2012 dia 25 de janeiro é exatamente pra isso, pra gente poder envolver mais as jovens e os jovens agricultores para que possam participar, para que possam dar mais valor a agricultura familiar, para que a gente tenha jovens futuros jovens agricultores que não tenham vergonha de dizer, de falar em público que realmente é agricultor, que é filho de agricultor”.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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