Agricultores e entidades ocupam ruas centrais de Campina Grande pela sustentabilidade e autonomia da água

Agricultores familiares e entidades defensoras da agroecologia realizaram uma ampla mobilização pelas ruas centrais de Campina Grande na última sexta-feira(28/03) com participação de caravanas das diversas microrregiões do estado da Paraíba que trabalharam o tema: “Mobilização pelo acesso à água de qualidade como um direito de todos”, em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março.

O tema foi evidenciado pelo Studio Rural no Programa Domingo Rural deste domingo a partir de entrevistas trabalhadas com representações de entidades diversas de diversas regiões do estado que aproveitaram para falar sobre o conjunto de ações desenvolvidas por essas entidades e agricultores dentro da dinâmica de tecnologias apropriadas ao semiárido brasileiro.

“É um momento importante da ASA, foi um momento importante estarmos nas ruas de Campina Grande, por trazer para a sociedade o papel que a ASA revive nesses seus 20 anos enquanto celebração de seus vinte anos, mas ao mesmo tempo é celebrar o que a gente tem construído aqui de convivência com o semiárido que é a cisterna pra água de beber, que é a cisterna pra produzir alimentos, que é barreiro trincheira, que é barraginha, é cisterna de enxurrada então a gente tem hoje uma série de infraestrutura que estão hoje no semiárido da Paraíba e isso é fruto de uma articulação muito forte que vem se construindo há muito tempo pela ASA Paraíba nesses 20 anos e acho que deveria sim fazer essa celebração com todas essas suas representações do estado aqui em Campina Grande e a gente também dizer que a gente quer reafirmar o nosso projeto de convivência e denunciar aquelas formas de políticas que não tem beneficiado de forma dignamente os agricultores que é a cisterna de plástico que fez parte desse cenário de nossa caminhada porque ela vai de encontro a tudo aquilo que a agroecologia nos permite” explica a coordenadora do Polo da Borborema Roselita Victor da Costa durante amplo diálogo com nossa equipe.

“Acho importante esse movimento que a ASA puxa dentro das comemorações do Dia da Água, como também o aniversário de 21 anos da ASA, Articulação do Semiárido Paraibano que tem trazido benefícios enormes para os trabalhadores, são 21anos de experiências testadas de que as cisternas de placas construídas na nossa região semiárida tem tido uma importância fundamental porque trata água da chuva e essa água é armazenada e durante o período em que não temos chuvas as famílias têm água potável para o consumo”, explica o deputado Frei Anastácio(PT) que dialogou com Stúdio Rural durante trajetória pelas ruas campinenses, afirmando que essas tecnologias têm diferenças gritantes com relação as grandes obras por tratar-se de ser tecnologias sociais que geram emprego local e ofertam o produto hídrico bem próximo das famílias.

“Na verdade esse evento tem três finalidades: celebrar os 21 anos da ASA Paraíba que mudou a realidade do semiárido paraibano através dos programas de convivência com o semiárido; estamos também celebrando o Dia Mundial da Água que foi o dia 22 de março e também estamos pra dizer nas ruas de Campina Grande que somos contra as cisternas de placas, portanto a nossa caminhada ou a marcha significa que cada passo nosso nas ruas de campina Grande e por qualquer lugar que estejamos na Paraíba é afirmar e dizer que somos contra as cisternas de plástico que não inclui, que é desperdício do dinheiro público, é muito dinheiro gasto e que não faz com que as famílias se sintam parte do processo, portanto esse evento tem estes três grandes objetivos”, a coordenadora e componente do Centro de Educação e Organização Popular(CEOP), Francisca Aparecida Firmino Silva que falou também sobre o conjunto das ações desenvolvidas por aquela entidade, em especial as ações de combate a violência contra a mulher.

“Esse evento representa essa celebração do que está sendo construído pela Articulação do Semiárido durante esses vinte e poucos anos e eu acho que é fundamental para a convivência com o semiárido que além de discutir a questão da água, discute a questão da agroecologia, discute o acesso a terra, discute o alimento saudável, por isso que a Articulação do Semiárido está de parabéns e além do mais influencia diretamente na construção de políticas públicas a exemplo do que era ações só da água hoje é uma realidade em políticas públicas como é caso do Programa Um Milhão de Cisternas, com é o caso do P1+2 que discute a questão das cisternas de produção e acho que isso é fundamental e hoje celebra-se esse momento que é importante para a vida do semiárido paraibano”, relata o pesquisador da Embrapa e participante do evento, Marenilson Batista da Silva.

“Eu acho que é uma grande conquista para o Coletivo, para nós agricultores podermos estar mostrando à sociedade paraibana que somos capazes de viver no semiárido sem ter que deixar nossas origens, sem precisar deixar nosso lugar e é possível conviver com o nosso semiárido e com a bendita seca que o povo tanto fala, que na visão de muitas pessoas com essa seca a gente não vive nem sobrevive no lugar onde a gente mora. E aqui hoje a gente está mostrando que a gente sobrevive, que a gente sobreviver em nosso semiárido paraibano”, explica a agricultora componente do Coletivo Regional Cariri, Seridó e Curimataú, Maria Betânia Burity Alves que durante amplo espaço de entrevista falou sobre as inúmeras ações trabalhadas no conjunto dos municípios do Coletivo. “A gente tem depoimentos que se a gente fosse relatar aqui depoimentos de agricultores que através dessa articulação, através da ASA, através do Coletivo Patac e essas entidades presentes da ASA, se a gente fosse dizer dos depoimentos que a gente escuta, a gente passaria o dia dando entrevista”, comemora.

Saindo do Teatro Municipal Severino Cabral, mais de 1 mil pessoas partiram em caminhada pela Avenida Floriano Peixoto seguindo pela Rua Afonso Campos e depois retomando a Floriano Peixoto pela Rua Peregrino de Carvalho, próximo à Feira Central, culminando com um ato público na Praça da Bandeira, no centro da cidade onde estava montada uma feira com a exposição de produtos e experiências da agricultura familiar a partir de banners, informativos, maquetes, dentre outras.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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