Alagoa Grande reúne movimento de mulheres e entidades pra lembrar 38 anos do assassinato de Margarida Alves

Representações do movimento de mulheres, entidades camponesas e da cidade se reuniram na cidade de Alagoa Grande, Brejo da Paraíba, para relembrar os 38 anos de assassinato da líder sindical rural Margarida Maria Alves.

Programa Domingo Rural do último domingo(15) evidenciou o evento que aconteceu na quinta-feira, 12 de agosto, relembrou e reavivou compromissos pela continuidade nas lutas por direitos defendidos por Margarida Alves que foi vítima de um tiro de espingarda 12 desferido por pistoleiro contratado pelo latifúndio da região descontente com o processo de organização dos trabalhadores e trabalhadoras das usinas locais da cana de açúcar. “Eu lembro muito bem que eu estava bem ali, na época na casa da minha tia, e quando ouvi um estampido de um tiro, e eu não sabia ainda a dimensão que era e que iria ser Margarida Maria Alves, corri pra cá e quando cheguei aqui nesta calçada tinha muito sangue que ainda hoje visualizo o corpo ensanguentado de minha mãe no chão, é um trauma que eu vou carregar para o resto de minha vida, mas eu lembro que eu batia nesta janela e meu pai, obviamente, também amedrontado com medo de ser assassinado, eu dizia pai abra a parta, sou eu, e ele com medo sem querer abrir, mas ele abriu uma frestinha da janela e eu pulei, quando eu pulei dentro de casa me deparei com o corpo de minha mãe totalmente sem vida, mas naquela época, aos oito anos, eu não tinha noção da barbárie que estava acontecendo”, discursou José de Arimateia Alves, filho único de Margarida que à época do crime tinha apenas oito anos de idade. “Minha mãe, expulsa do sítio Jacú aqui em Alagoa Grande juntamente com a família, experimentou essa atrocidade, essa mão pesada do latifúndio na própria família, revoltada e indignada ela foi procurar seus próprios direitos e pra família dela, mas acredito que lá dentro dela ela sabia que a missão dela seria muito maior do que a própria família dela, do que próprio esposo, do que o próprio filho”, explica Ari detalhando a trajetória de luta daquela lutadora do povo de Alagoa Grande e da região.     

Em razão da pandemia do Coronavírus, o movimento foi condicionado a número limitado de pessoas e representações sociais, mesmo assim diversas representações fizeram uso da palavra e assumiram compromissos de intensificar as lutas por justiça, políticas públicas e direitos para os trabalhadores.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural /

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