AS-PTA promove encontro de entidades para discutir ações do Projeto Agroecologia da Borborema

A ONG AS-PTA realizou, em sua sede no município de Esperança, um encontro com representações de entidades para discutir as ações do ‘Projeto Agroecologia da Borborema’, projeto que é um patrocínio da Petrobrás e será trabalhado no sentido de implementar as ações que já vêm sendo trabalhadas pelas entidades da ASA Paraíba, Articulação do Semiárido Paraibano dentro da dinâmica de convivência com a realidade semiárida.

A reunião aconteceu no último dia 28 de maio e contou com participação de representações de Sindicatos de Trabalhadores Rurais do Agreste, Brejo e Curimataú, Universidade Federal da Paraíba Campus Areia e Bananeiras, componentes da AS-PTA, Pólo da Borborema dentre outras.

Segundo o assessor da AS-PTA, Emanoel Dias, o projeto Agroecologia da Borborema contribuirá para a construção de uma agenda coletiva orientada para o desenvolvimento socioambiental em 15 municípios do Brejo, Agreste e Curimataú, ao mobilizar famílias agricultoras e suas organizações para a disseminação e a divulgação de tecnologias inovadoras voltadas para o aumento da eficiência produtiva e a sustentabilidade ambiental dos agroecossistemas e para a realização de ações de educação ambiental voltadas para crianças e jovens rurais. “Essa atividade que aconteceu hoje no centro da AS_PTA, ela teve como objetivo de articular um conjunto de viveiros familiares que está em curso aqui na região da Borborema, então nós tivemos aqui a presença de sete experiências inclusive com características diferenciadas, seja com o cunho mais acadêmico como é a universidade, seja outro de caráter mais regional como o próprio viveiro aqui da AS-PTA e outras experiências também familiares. Então a idéia é articular esse trabalho onde possamos disponibilizar mudas de espécies nativas frutíferas para reflorestar o Território aqui da Borborema”, explica Dias ao dialogar com os ouvintes da Rádio Serrana de Araruna AM 590 kHz, Rádio Cultura de São José do Egito AM 1320 kHz e Rádio Independente do Cariri FM 107,7 MHZ.

Emanoel informou tratar-se de um programa de educação ambiental orientado para 1800 crianças e jovens de 36 comunidades rurais, será desenvolvido com o objetivo de formar futuras lideranças, dando continuidade à iniciativa já existente que atualmente abrange 1200 pessoas de 23 comunidades e que as ações nesse campo estarão voltadas para a criação de consciência crítica relacionada ao vínculo entre a insustentabilidade do modelo produtivo local e o aquecimento global e se valerá das práticas de rearborização das propriedades fomentadas pelo projeto como meios pedagógicos. “A nossa idéia não é só de plantar mudas por plantar, de ter um viveiro com centenas ou milhares de mudas lá estocadas, mas é inclusive trabalhar formação da importância dessa muda no campo, do papel que essa muda vai cumprir na unidade produtiva, do puder positivo que essa muda vai trazer para o roçado, ela vai ter um componente lá na ecologia do sistema, na fertilidade dos solos, então não é só você trabalhar o viveiro pelo viveiro, mas o viveiro dentro de uma proposta de formação que possamos dialogar além da necessidade de plantar, mas o gosto, o cuidado por plantar essas mudas com zelo e com cuidado aqui na região da Borborema”.

A Universidade Federal da Paraíba, Campus Bananeiras e Areia, também fazem parte do projeto da construção de viveiros para o processo de formação de famílias agricultoras sobre a importância das plantas dentro de uma dinâmica que gera riqueza enquanto suporte da segurança alimentar e também de sustentabilidade ambiental.

O professor Alexandre Eduardo é da Universidade Federal Campus Bananeiras e diz que o projeto na parceria entre as entidades e a Petrobrás vem como forma de buscar um equilíbrio para o meio ambiente a partir do plantio de árvores diversificadas que terão o papel de recuperar os solos devastados e ou em devastação e que já se iniciem como parte da produção agrícola de cada família agricultora já que serão plantas frutíferas, plantas destinadas a produção de lenha, estacas, dentre outras ações que dão sentido ao envolvimento das famílias na proposta produtiva. “É mais uma atividade que a gente entra em parceria com a AS-PTA, com Pólo Sindical acreditando que estamos num processo de formação de uma geração que vai estar mais preocupada com o bem-estar das pessoas e esse projeto que prevê a formação de pessoas para uma convivência harmônica com o meio ambiente a partir da produção de mudas, de utilização de fogões ecológicos que queimam menos lenha, de recuperação de áreas degradas, de manejo sustentável de nossas matas, produção de alimentos a partir de espécies vegetais adaptadas é uma ação que constitui numa concretização de sonhos de um mundo melhor. Você veja que nós teremos a produção de mais de 100 mil mudas anualmente e isso tudo acompanhado de um processo de formação de pessoas, então nós não vamos estar apenas produzindo mudas. Estaremos recuperando áreas degradadas, recuperando margens dos rios que estão quase todos assoreados, temos aí nesse milênio como um dos principais problemas que é o problema da água e se nossas nascentes, nossas fontes, nossos rios, nossos açudes não estiverem com uma vegetação apropriada ainda mais será o risco de secas”, explica aquele educador ao dialogar com os ouvintes Domingo Rural.

Manoel Antônio de Oliveira, Nequinho, é do Pólo Sindical e das Entidades da Borborema, participou da reunião e diz que pouco a pouco as entidades estão fortalecendo as unidades familiares rurais com políticas ambientais e que pouco a pouco os governos começam a aderir ao modelo de desenvolvimento sustentável pensado e executado pelos agricultores familiares em parcerias com as universidades, com a pesquisa e com os novos modelos de extensão social. Ele explica o sentido da luta, a importância do Projeto e a expectativa de mobilização junto às famílias para que os viveiros sejam desenvolvidos, as plantas cheguem a campo e, desta forma, as famílias agricultoras fortaleçam suas unidades rurais numa dinâmica de produção sustentável. “Eu acho que o objetivo disso tudo é um trabalho de conscientização e de organização das famílias, tendo em vista a degradação da natureza que tem hoje com essas secas que nós vem tendo aí temporariamente e pelo desfalque do próprio povo que vem degradando a natureza. Então nós estamos querendo reverter o quadro e a única saída de nós revertermos o quadro é em cima de uma luta concreta”, argumenta Nequinho.

Domingo Rural também conversou com o representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Solânea, Antônio José da Silva, Toinho Cadete, que falou sobre a reunião e sobre o trabalho que vem sendo feito em toda a região na busca de reestruturar unidades produtivas no contexto de convivência semiárida. “A gente está trabalhando duas coisas: a questão educativa e a questão ambiental, isso é de fundamental importância para os nossos agricultores, para as nossas áreas degradas para a reestruturação mesmo das unidades familiares”, explica Cadete e garante que as entidades estão trabalhando um processo de planejamento que facilite o trabalho de plantio das árvores em períodos chuvosos ou dentro das estratégias de uso das águas dos reservatórios hídricos a exemplo do P1+2 apoiado pelo MDS, barragens subterrâneas já desenvolvidas através de outras parcerias logísticas dentre outras. “Corretamente, porque a planta vai depender do tempo dela, ela vai depender da região. Quando o agricultor prepara seu roçado ele sabe que com dois ou três dias de diferença ele pode perder toda aquela plantação, toda aquela roça dele, e a planta ela também tem essa mesma característica, se você leva uma planta pra uma determinada região já com um atraso de inverno a gente pode perder aquela planta e não fazer com que ela fixe-se e naquele ano ela possa até morrer, acho que a gente vai ter que aproveitar a sabedoria dos agricultores”, relata Cadete ao dialogar com Domingo Rural e suas parceiras.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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