Ater Agroecologia busca estimular práticas de Convivência com o Semiárido e autonomia das famílias rurais no Sertão baiano

Estimular práticas agroecológicas de Convivência com o Semiárido a fim de promover a autonomia das famílias rurais, respeitando sempre as especificidades culturais das comunidades. Esse é o objetivo do Ater Agroecologia que encerrou em abril, a aplicação de diagnóstico familiar, terceira etapa do projeto realizada com 540 famílias agricultoras, nos municípios de Uauá, Curaçá, Casa Nova, Pilão Arcado, Juazeiro e Remanso, acompanhadas pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa).

A informação é da assessoria do Irpaa e foi destaque no Programa Domingo Rural e Esperança no Campo detalhando que o Ater Agroecologia também discute gênero e geração de renda com jovens e mulheres rurais e para isso busca integrar políticas públicas de inclusão produtiva para que as famílias e comunidades tenham acesso aos direitos sociais básicos. “Com isso, é possível melhorar os processos de diversificação da produção, incentivar e promover a segurança alimentar e nutricional das famílias, aumentar a produtividade e o acesso aos mercados locais, territoriais e institucionais para comercialização dos produtos, produzidos através de tecnologias sociais sustentáveis, saudáveis e adequadas”, explica.

Para tanto, com a aplicação do diagnóstico nas unidades produtivas familiares é possível conhecer as famílias e os seus agroecossistemas, ou seja, as atividades desenvolvidas no local, identificando a realidade de cada uma nos aspectos produtivos, sociais, econômicos, ambientais, fundiários, educacionais, bem como, o acesso à terra, à água e à energia. Após o(a) técnico(a) do Irpaa conhecer a propriedade e seus sistemas, as famílias desenham um mapa do seu agroecossistema com todos os aspectos físicos existentes, essa ação colabora para que a família visualize melhor o seu agroecossistema.

Partindo da ideia da agroecologia, o colaborador do Irpaa, Alessandro Santana, reflete que essa vai além da produção vegetal e animal. “Ela é um processo educativo, transformador, participativo, que por isso inclui a integração do que a família faz nos seus agroecossistemas e a sua relação com o território. Leva em conta também, a sustentabilidade do meio ambiente, o reconhecimento dos diferentes sistemas culturais, a importância da preservação da biodiversidade do local onde se vive, as formas justas de ocupações e distribuição de renda”.

Nesse sentido, em Baixão, comunidade tradicional de Fundo de Pasto, em Pilão Arcado, as famílias tiveram orientação de como produzir de forma agroecológica para não prejudicar o meio ambiente. O agricultor, Juarez Jorge de Carvalho, cultiva em seu agroecossistema, milho, feijão, mandioca, abóbora, melancia e também cria abelhas. Ele destaca que “O projeto implantado na nossa comunidade, com certeza vai ajudar a melhorar as nossas práticas de produção. O agricultor com a orientação técnica, sem dúvida vai ter uma produção de qualidade e também uma quantidade mais significativa. Com certeza, o projeto vai ajudar bastante a aumentar a produção desses agricultores que são beneficiados pelo Ater”.

A agricultora Daniela Soares Pereira, da comunidade Melancia, também em Pilão Arcado, cultiva feijão, milho, mandioca e hortaliças como coentro e pimentão. A agricultora relata que com o início do projeto, aprendeu a valorizar cada vez mais os produtos e compreender a importância de estar sempre buscando novas maneiras e formas de produção. “O projeto Ater Agroecologia tem sido muito importante e tem incentivado não só a minha família, mas também o pessoal da comunidade e da associação a aumentar a sua produção”, afirma a agricultora.

A colaboradora do Irpaa que acompanha as famílias rurais em Pilão Arcado, Maria de Fátima, ressalta que as famílias têm recebido o Ater Agroecologia com muito entusiasmo. A próxima etapa do projeto será o diagnóstico comunitário participativo que deve contar com a colaboração de crianças, jovens, adultos e idosos, integrantes das comunidades.

Essa etapa irá identificar a realidade histórica, produtiva, econômica, cultural, ambiental e social da comunidade, além de identificar o protagonismo de jovens e mulheres na participação produtiva, nos cargos de organização social e nas tomadas de decisão. “É também nesse momento, que as famílias poderão levantar as fortalezas e oportunidades, as fraquezas e ameaças da comunidade. Servirá de princípio para o planejamento das atividades futuras”, explica Maria de Fátima.

O projeto Ater Agroecologia, financiado pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater) iniciou em setembro de 2020 e segue até setembro de 2023.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural /

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