Comissões do Coletivo discutem ações estratégicas para a região do Cariri, Seridó e Curimatá

Agricultores e agricultoras familiares agroecológicos estiveram reunidos na última quinta-feira em Soledade para discutir e intensificar ações práticas de convivência com a realidade das microrregiões Cariri, Seridó e Curimataú, com ênfase nas obras estruturantes para o melhor acúmulo de água em barragens subterrâneas, Tanques de pedras, cisternas de placas, cisternas calçadão dentre outras; melhoramento nas técnicas e alternativas para a criação de pequenos animais, processo de preservação das sementes dentre outros conhecimentos e tecnologias indispensáveis para que as famílias superem as dificuldades que são comuns em anos com pouca chuva como esse de 2010.

A reunião aconteceu nos salões da igreja católica da cidade de Soledade, objetivou estudar realidades e encontrar propostas alternativas e é uma ação do PATAC em parceria com as entidades do Coletivo Regional de Educação Solidária do Cariri, Seridó e Curimataú paraibano.

O grupo social participante no evento se dividiu em três comissões de estudos que buscaram perguntas e respostas através da Comissão de sementes, Comissão de estudos sobre pequenos animais e Comissão de estudos sobre a água e sua função na propriedade no processo produtivo relacionado com o mercado dos produtos agroecológicos.

Nós do Programa Domingo Rural acompanhamos o evento e conversamos com lideranças diversas sobre o trabalho que vem sendo feito em toda a região e sobre a importância da reunião enquanto espaço de busca de alternativas para a agricultura familiar daquela região.

Comissão de criação animal
Rodrigo Campos de Morais foi um dos mobilizadores da comissão que discutiu alternativas para a criação animal e, ao dialogar com nossa equipe, falou sobre como foi trabalhado aquela comissão. “A comissão de criação animal do Coletivo está pondo suas forças na questão do armazenamento de forragens, para os agricultores está sendo um desafio enorme porque estão passando por um processo de falta de chuvas e isso está fazendo com que os agricultores fiquem meio que com um pé atrás nesse processo, mas o papel nosso é incentivar, reunir e essa formação deve ser contínua e vamos seguir nessa batalha”, relata Rodrigo, acrescentando que novos encontros e intercâmbios acontecerão no sentido de que cada vez mais as famílias possam inovar a partir de ações trabalhadas em unidades produtivas pelo semiárido brasileiro.

José da Guia Lucindo, Deda, reside na comunidade Mendonça de Juazeirinho, disse que acompanha as reuniões desde o ano de 2003 fazendo parte da comissão de criação animal e diz ser um processo de aprendizado para ele e para as comunidades acompanhadas pelo Coletivo no processo de como cuidar melhor do animal num processo integrado na agricultura familiar. “Na comissão de criação animal a gente vem debatendo todos os trabalhos de como a gente alimentar melhor os animais, como a gente armazenar forragem, como cuidar da sanidade animal, então eu tenho muito orgulho de participar dessas reuniões”, explica Deda ao dialogar com Domingo Rural, ao garantir que as entidades têm desenvolvido um trabalho participativo na busca de alternativas pensada com a força das comunidades. “Vem contribuindo muito para com os agricultores, isso com seriedade, respeitando todos os agricultores com a forma como eles agem, quando a gente acha que eles não estão trabalhando corretamente, a gente passa a orientar eles para não chegar a desgostar o agricultor. Então o PATAC junto ao Coletivo e ASA vem nos ajudando demais em todos os aspectos”.

Comissão água
Zilma Maximino Dantas é do Coletivo Regional, trabalhou o grupo sobre recursos hídricos na dinâmica da agricultura familiar e, ao dialogar com Domingo Rural, explicou que o tema principal foi o manejo da água para a produção já que esse é um ano com poucas chuvas e é necessário uma estratégia de bom aproveitamento das águas acumuladas nas cisternas calçadão dentre outros equipamentos hídricos. “A gente dialogou muitas coisas, principalmente em relação ao manejo da água para a produção. A gente vem fazendo esse trabalho já desde o início do ano, dando prioridade ao manejo da água para a produção, como produzir bem ao redor de casa agroecologicamente e todos os meses a gente está tirando como primeiro ponto essa questão do manejo da água”. Ela disse que está sendo feito um trabalho de monitoramento por parte do Coletivo Regional para saber como está sendo o aproveitamento de cerca de 70 barragens subterrâneas buscando entender quem está produzindo e ao mesmo tempo entender os motivos daqueles de não estejam desenvolvendo trabalhos de produção com os recursos hídricos das barragens subterrâneas.

Alex Barbosa dos Santos é jovem agricultor no município de Santo André, faz parte do Coletivo e, ao dialogar com nossa equipe, disse que a comissão teve um olhar especial para o fato de como está sendo utilizado cada reservatório do ponto de vista da produção e analisando os entraves ainda existentes no processo. “A maior preocupação em discussão é que nós estamos monitorando as ações no aspecto hídrico que foi as implementações que foram feitas nas comunidades e uma preocupação muito grande é como relação de como está sendo usado tanto as barragens subterrâneas como os tanques de pedras, agora as cisternas para a produção e agente vem monitorando a questão das barragens subterrâneas e algumas têm experiências fortes, ricas que engrandecem, mas outras estão no abandono, algumas não foram utilizadas, então é isso que a gente identificou nessa manhã”.

A jovem agricultora Alidiane Carlos de Oliveira disse da importância dos intercâmbios, citando como exemplo uma viagem de intercâmbio em que ela participou recentemente no pólo produtor de sisal na região de Valente na Bahia e garante que foi possível perceber os avanços da agricultura familiar na diversidade de seu sistema agroecológico. “Hoje a gente estava discutindo sobre o intercâmbio na Bahia que a gente fez de 26 a 29 de maio e a gente foi conhecer a Associação APAEB que é a associação dos pequenos produtores do Estado da Bahia e a gente viu uma realidade muito diferente da nossa que era o seguinte: lá tudo centralizado em torno da associação, tem o beneficiamento do sisal com a fábrica de tapetes, laticínios com beneficiamento do leite de cabras, a casa do mel e a escola família agrícola”, explica falando em detalhes como funciona o processo naquela microrregião produtora do sisal e disse que uma diferença é que aqui na Paraíba o trabalho é feito com a preocupação agroecológica.

Comissão Sementes da Paixão(foto)
Maria Betânia Buriti Alves é agricultora em Pedra Lavrada, participou das discussões sobre sementes e falou com nossa equipe sobre qual foi o nível das discussões, mostrando que 2010 representa ameaça para a possibilidade de produzir nessa safra levando o movimento a buscar alternativas para preservar as sementes das famílias agricultoras. “Já vimos a questão de fazer áreas de experimentação e de plantios, já foi visto na reunião que vai ser em Bananeiras(UFPB) com plantio ampliado, vai fazer experiência na Universidade de Bananeiras para o agricultor está garantindo a semente de plantar no ano que vem”.

Já Valdir Cordeiro, é assessor técnico do PATAC, participou das discussões sobre as sementes da paixão e faz um balanço das discussões e buscas de alternativas. “Há um diálogo, as comissões aqui elas não existem sem uma articulação mais em nível de estado e em nível regional e é uma preocupação não só do Coletivo com essas questões da agricultura familiar e principalmente o foco das sementes, a própria ASA vem discutindo as parcerias com universidades, com própria Embrapa, com outros órgãos de pesquisas ou de apoio que está apontando essa possibilidade de se fazer campos de multiplicação mais amplos tipo Universidade lá em Bananeiras, lá nas Várzeas de Sousa, como também conversação com possibilidade de se sair com projetos comuns da própria ASA Paraíba pra buscar com que a Conab que tem sido uma parceira pra diversas outras ações aqui ela possa de repente estar apoiando iniciativas como essa que é de garantir o estoque para o próximo inverno”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Compartilhe se gostou

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top