Coordenador do Leite da Paraíba reconhece que preços baixos colocam em risco o Programa

“Isso é verdade, há mais de dois anos que a gente vem lutando junto ao governo federal para que haja um realinhamento de preços, o preço que está sendo praticado hoje, que está sendo pago ao produtor, é o mesmo preço que se pagou no início de 2004 e ao longo desse período houve na verdade um aumento muito considerável nos insumos, basta lembrar que a gente no ano passado comprava um saco de soja por R$ 28,00 a R$ 30,00 reais, hoje ele é R$ 50,00 reais, um saco de milho se comprava por R$ R$ 18,00 ou R$ 20,00 reais e hoje ele é R$ 45,00, um saco de torta você comprava por R$ 22,00 reais hoje é R$ 35,00 isso falando na questão alimentar, mas houve aumento na energia elétrica, houve aumento nos combustíveis, no sal mineral, houve aumento nos filmes que envasam o leite quer dizer: tudo isso veio desgastando a remuneração dos produtores e das usinas e colocando hoje em risco o Programa do Leite”.

A afirmativa é do pesquisador da Emepa-PB e coordenador do Programa Leite Paraíba, Aldomário Rodrigues, ao dialogar com Stúdio Rural após as constantes reclamações feitas com relação aos preços pagos pelo governo por cada litro de leite aos produtores do Estado da Paraíba.

Rodrigues diz que no início do programa os preços pagos pelo governo federal aos produtores foram mais atrativos do que os preços pagos pelo mercado formal, mas que atualmente o mercado privado está pagando tanto ou quanto paga o governo além de não ter as mesmas exigências para com o produto pedidas pelo programa governamental. “Nós fazemos muitas exigências porque nós trabalhamos com um produto que tem que ser nobre onde a gente faz uma fiscalização do produto que é entregue, a sua qualidade em termos de acidez, contaminação por coliformes, em termos de refrigeração, os animeis têm que receber vacinas contra aftosa, tem que ter atestado contra brucelose e tuberculose para que a gente possa receber o leite do produtor e só pagamos a cada 15 dias. No caso quando ele vende para o mercado aberto não passa por essas exigências e, além de não passarem por essas exigências, ele recebe semanalmente”, explica Aldomário reforçando que muitas vezes o produtor deixa de entregar o leite ao governo para entregar as diversas unidades a exemplo de queijarias, docerias dentre outras.

O coordenador diz que o Programa do Leite no Estado está passando por processo de desabastecimento contínuo e que no ritmo que está num breve espaço de tempo esse desabastecimento será tão grande que vai por em risco o programa. “O custo de produção hoje de leite de vaca para o pequeno gira em torno de R$ 0,76 reais sem falar na questão de remuneração dele, e ele está entregando leite de R$ 0,70 reais”, esclarece a liderança afirmando que o produtor está pagando para produzir e encontrando um preço na linha governamental que não condiz com a realidade enfrentada pelos pequenos pecuaristas de todo o estado.

Rodrigues fala sobre a importância econômica e social do Programa dizendo que o produto distribuído nos programas sociais tem contribuído para combater o processo de desnutrição no seio das famílias carentes de todo o Estado da Paraíba. “Além do apelo social que tem o programa, o leite tem um apelo econômico e, na hora em que ele está sofrendo esse tipo de processo com certeza a sociedade mais carente que depende desse leite pra sua família, inclusive esse leite ele tem trazido um peso social muito grande com a queda da mortalidade infantil. A Paraíba tem hoje a menor taxa de desnutrição de jovens do Nordeste e se deve muito a esse Programa do Leite e ele sendo desabastecido com certeza essas populações vão sofrer, isso pelo lado das questões sociais e por outro lado na questão econômica em que o pequeno produtor rural que é quem abastece esse programa se ele não se sentir motivado economicamente para se manter produzindo com certeza ele também vai perder o nicho de negócios e ele perdendo esse nicho de negócios quem sabe se ele não vai fazer parte das cestas básicas da vida”, argumenta a autoridade ao dialogar com a equipe Stúdio Rural.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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