Domingo Rural e emissoras parceiras acompanham Seminário sobre Cochonilha em Gado Bravo

Discutir os perigos da Cochonilha do Carmim para a pecuária e suas causas na oferta de trabalho e renda no campo foi uma das metas do Seminário sobre a praga que aconteceu no último dia 23 na cidade de Gado Bravo e envolveu agricultores pecuaristas daquele município, estudiosos no assunto e extesionistas que, juntos, discutiram a gravidade da praga, as perspectivas da chegada do inseto devorador no município e ao mesmo tempo falar sobre as novas variedades resistentes apropriadas ao clima e solos do município e região e Domingo Rural, participante do evento, entrevistou representações diversas sobre problemas e soluções que venham fortalecer a região.

O prefeito daquela cidade, Evandro Araújo, comenta que os produtores estão preocupados com a possível chegado da praga a exemplo do acontecido em diversos outros municípios do estado que tiveram os plantios de palma completamente dizimados. “Nós aqui em Gado Bravo estamos correndo grande risco já que é uma praga que tem se alastrado aqui no Estado, já sabemos que Caturité tem sido acabado praticamente a palma, já temos o conhecimento de que Barra de Santana já tem esse inseto também e divide com nosso município aqui, realmente estamos passando aqui por situação difícil que é essa praga vir a atingir aqui nosso município”.

José Messias Gomes da Silva, é técnico da Emater naquele município e disse que a instituição está presente no processo de discussão no município e trabalhando ações preventivas que possam manter o processo de produção rural sustentável naquela municipalidade e garante que as entidades estão se fortalecendo para discutir temas diversos em conhecimentos tecnológicos que venham somar dentro da nova forma de fazer agropecuária no município. “Por parte da Emater a gente pode esperar a continuidade do trabalho de fomento dessas trocas de experiências, inclusive vamos pensar da possibilidade agora de organizar um grupo de agricultores e agricultoras pra estarem visitando a propriedade do professor Anselmo e outras propriedades da região onde a palma-doce miúda está se dando muito bem, estão produzindo muito bem”.

Anselmo Rodrigues é professor da UFPB/Areia e produtor rural no município, participou do evento como palestrante falando sobre a experiência dele com o cultivo de variedades de palmas-doces e seus resultados e garante que a população já tem variedades importantes que serão somadas as variedades apresentadas pela Emepa para que sejam introduzidas nos campos produtivos do município e de toda a região. “Eu gostaria de dizer que até certo tempo eu tinha certa restrição a palma-doce, foi um vizinho meu que me doou algumas folhas de palma e eu plantei e a partir dessa experiência eu comecei a vislumbrar que a palma-doce poderia ser um potencial muito forte. Hoje, com o evento do aparecimento da Cochonilha do Carmim, se ocorresse um determinado inseticida aí que controlasse a cochonilha, eu não deixaria o meu ritmo de plantio de palma-doce porque ela vem num desenvolvimento espetacular e os trabalhos científicos do IPA têm demonstrado que uma vaca de leite ou um boi de engorda têm consumido em torno de 66 quilos de palma gigante e palma redonda por dia e com a palma-doce ele só tem consumido apenas 40 quilos, dando aí um diferencial por conta da matéria seca da palma-doce que é bem mais consistente e é bem mais alimentícia e inclusive não dependendo de outro tipo de ração como a torta do resíduo do algodão quando você dá a palma-doce porque ela tem quantidade de matéria seca bem mais consistente não dando aquela famosa dor de barriga no gado”, explica aquele experimentador ao dialogar com os ouvintes do Programa Domingo Rural deste domingo(01/05).

A diretora presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gado Bravo, Edielma Maria Silva, disse que o encontro pôde esclarecer sobre o que é, como se prolifera e as técnicas a serem utilizadas de convivência sem que a produção da pecuária não sofra descontinuidades. “A gente aguarda ação positiva dos agricultores e que o agricultor aprenda a cultivar e plantar e dar mais atenção a agricultura, principalmente a questão da palma, neste momento a palma precisa de mais atenção, então precisamos agora do incentivo deles ao começar a praticar o cultivo e começar a exercer sua atividade”.

Participante do evento no compartilhamento dos conhecimentos e na logística das atividades, o diretor presidente da Coapecal, Cooperativa Agropecuária do Cariri, Marcelino Trovão de Melo, disse que a empresa estará presente em todas as atividades que visem fortalecer a economia de toda a região e garante que se cada município se antecipar a chegada da Cochonilha do Carmim a atividade pecuária sairá muito mais fortalecida do que a forma que se desenvolvia até o momento. “Estamos tratando de um município de uma pecuária fortíssima com uma cultura da produção de leite gigantesca, muito forte e interessante de quase que 100% de pequenos produtores na agricultura familiar. Se tirar o leite daqui isso aqui fecha, a exemplo de Barra de Santana, Gado bravo, se você pegar Alcantil em que o que move a economia é a área rural através da produção de leite”, explica.

Representando a secretaria de agricultura do Estado da Paraíba, Heleno Alves de Freitas disse que o governo não poderia se ausentar da discussão e garante que os órgãos do governo estão se preparando para intensificar as ações de fortalecimento da agropecuária paraibana. “Nós temos que ressaltar que todas essas alternativas têm grande influência dos movimentos sociais, isso ninguém pode negar, o governo Ricardo Coutinho está entrando agora no sentido de estimular, animar e multiplicar essas alternativas. Não tenha dúvidas que a secretaria através do secretário Marenilson Batista e do secretário Alexandre Eduardo vamos intensificar a distribuição de palma resistente e capacitar os agricultores e agricultoras familiares no sentido de poder fazer silagem, que seja com milho, com sorgo, com outras alternativas aproveitando também a potencialidade das ervas e das plantas nativas, nós temos muitas plantas excelentes para silagem e fazer fenação, vamos aproveitar para capacitar esses agricultores e agricultoras através de nossa Emater que está em todos os municípios”.

Ao conversar com a equipe Stúdio Rural, o pesquisador da Emepa, Edson Batista Lopes, palestrante no evento, disse que a empresa estadual de pesquisas vem trabalhando e repassando uma diversidade de tecnologias a exemplo das variedades de palmas e disse esperar que as entidades e produtores façam um amplo esforço para alcançar resultados exitosos antes que a praga da cochonilha chegue em cada município. “Como sempre, nós repassamos todas as tecnologias disponíveis que a Emepa tem gerado ao longo dos anos no controle da Cochonilha e espero que essas tecnologias cheguem a serem adotadas pelos agricultores de Gado Bravo como nas outras regiões em que já estamos com impulso muito grande em cima das variedades resistentes e essas variedades é que têm predominado e estão presentes, principalmente a PB1 que é material que tem se comportado bem em todas as regiões, independente do tipo de solo, de clima, afinal de contas ela foi desenvolvida em regiões secas”.

Paulo Medeiros Barreto é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana e disse que o sindicalismo camponês está presente em todas as atividades, evidenciando que são ações territoriais que se encontram de forma regionalmente integradas, lembrando que os seminários já aconteceram nas cidades de Soledade, Barra de Santana, Queimadas e agora Gado Bravo que dar continuidade ao conjunto de ações que fortaleçam a pecuária num momento em que as alternativas de mercado se apresentam ampliadas a exemplo do Programa do Leite da Paraíba, Programa de Aquisição de Alimentos(PAA) do Governo Federal através da Conab, Programa Nacional de Alimentação Escolar(PNAE) dentre outros que dependem de intensificação da produção e produtividade para que continuem gerando riquezas com distribuição de recursos em todas as microrregiões. “Deve ser uma ação conjunta, todos os municípios devem se irmanar na mesma luta porque se um só município se organizar os outros vão ficar prejudicados porque não se organizaram e o objetivo é que todos se organizem da mesma forma, num mesmo período para que seja uma ação conjunto em todos os municípios.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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