Domingo Rural evidencia cultura do umbu como importante item para o mercado de exportação
A cultura do umbu já começa a figurar no mercado de exportação com ênfase para países da Europa através da França. A afirmativa é do pesquisador da Embrapa Semiárido de Petrolina-PE, Nilton de Brito, ao dialogar neste domingo(10/01) com os ouvintes do Programa Domingo Rural em conexão falando sobre as experiências já vivenciadas no Sertão da Bahia, tida por ele como pioneiro no beneficiamento da fruta com destaque na produção e consumo do produto já agregado valor e garante que a idéia de aproveitar a cultura está sendo trabalhada pela Embrapa em parceria com entidades de agricultores e agricultoras. A Bahia é pioneira, é pioneira porque se destaca no sentido de ser o maior produtor de umbu e o maior consumidor, a idéia é que essa experiência da Bahia que tem obtido um sucesso muito grande junto aos pequenos produtores principalmente na questão de agregar valor ao fruto do umbuzeiro que antes era só extrativista e comercializado para atravessadores, a gente quer levar essa idéia para os outros estados, principalmente Paraíba, Alagoas, Piauí, onde tem populações mais carentes nas zonas rurais onde o umbuzeiro é predominante e aí um sucesso que se obteve com a cooperativa de Uauá na agregação de valor, na transformação dos produtos pode ser levado para essas outras regiões e os agricultores irão valorizar mais o umbu e a rende dele será acrescida em função dos produtos que eles vão comercializar, principalmente com a janela que se abriu para a exportação. O que é que nós temos hoje? Nós temos style=mso-spacerun: yes> o umbu brasileiro, os derivados do umbu brasileiro sendo levados do jeito que se leva uva, do jeito que se leva maga, do jeito que se leva o melão lá do Rio Grande do Norte, então nós rompemos essa barreira, ninguém jamais imaginava que nós teríamos um container num navio ou um container num avião pra levar imbu, nós sempre vimos nas televisões a exportação da manga, da uva, do melão, relata o pesquisador ao dialogar com os ouvintes da Rádio Serrana de Araruna AM 590kHz, Rádio Cultura de São José do Egito-PE AM 1320kHz e Rádio Independente do Cariri FM 107,7 MHZ, em Serra Branca-PB.
Em contato com os ouvintes das emissoras parceiras, Brito informou que desde o ano de 2004/2005 se iniciou o processo de exportação com relação inicial pela França que compra o produto da cooperativa de Uauá e para os países de toda a Europa com destaque para Áustria, Alemanha e adjacentes e garante que um dos entraves é que os Estados do semiárido não têm uma demanda na colheita da cultura que possa atender a demanda daqueles países, afirmando que a demanda é crescente. style=mso-spacerun: yes> Pra você ter idéia, aqueles dados que você vê do IBGE, aquela produção de nove mil e novecentas toneladas ela não significa 10% da potencialidade real do semiárido, então você considerando que nós temos aí mais de um milhão de hectares de caatinga e cada hectare tem dentro de 5 a 6 plantas então você tem uma capacidade produtiva enorme, exemplifica Nilton de Brito. Nós tínhamos dados do IBGE em alguns anos anteriores de 20 mil toneladas, eu afirmo que se houver um trabalho mais integrado em todos os estados para atender essa demanda de produtos do umbuzeiro no exterior vamos ter um aumento aí substancial nesta oferta e aproveitar mais porque aquele umbu que está sendo comercializado aí é umbu que o agricultor colhe diretamente na planta e isso não corresponde a 20% da capacidade produtiva da planta, os demais frutos caem maduros no chão onde os bodes vão comer os frutos dentre outros animais silvestres, complementa, garantindo que com um trabalho mais racional junto a cultura fará com que as famílias agricultoras utilizem toda a produção de cerca de 300 quilos desempenhada em média por cada umbuzal.
Brito aproveitou para falar sobre o processo de agregação de valor na cultura em diversas comunidades e municípios da Bahia, garantindo que a cultura representa um dos mais importantes suportes alternativos enquanto gerador de alimento, trabalho e renda para toda a região semiárida brasileira. Isso é fato na Bahia, pra você ter idéia, um saco de umbu no final da safra estava custando R$ 14 reais, se você pegar um saco de umbu e transformar em polpa você tem 35 quilos de polpa, se você transformar esses 35 quilos de polpa naqueles saquinhos de 100 gramas que chega a custar um real você vai ter mais de R$ 2 mil reais num saco de umbu, se você transformar em suco, transformar em geléia, cada uma transformação que você fizer você vai ter uma valorização fantástica e aí toda a cadeia vai ter rentabilidade com relação a essa agregação de valor, ilustra Brito ao contatar com nossas emissoras parceiras.
Outro tema discutido no Domingo Rural deste domingo foi o processo de beneficiamento possível sem ter que utilizar geladeira para o processo de conservação da polpa do fruta do umbu já que com as técnicas utilizadas na região do Sertão baiano o produto fica armazenado em baldes grandes de plásticos por meses sem a utilização de gelo, corantes e conservantes. A industrialização de polpa já tem tecnologias bem fundamentadas onde se pode armazenar polpa em temperatura ambiente, essas polpas podem ser tratadas com alguns aditivos alimentares, conservantes ou não, e como o fruto do umbuzeiro é colhido lá no interior das caatingas e o agricultor não tem uma conservação a frio que custa caríssimo, a opção foi levar essa tecnologia que já é dominada pelas grandes indústrias de processamento para aqueles agricultores, então hoje os agricultores, principalmente na região de Uauá, eles são capazes de armazenar uma grande quantidade de polpa em temperatura ambiente sem nenhuma conservação em termos de frios, relata Brito ao dialogar com os ouvintes Domingo Rural que estão na Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco dentre outros estados, assegurando que são formas e fórmulas simples que podem conservar a polpa do umbu por até 36 meses.
Ele falou sobre o papel de todas as unidades da Embrapa na difusão dessas tecnologias em todos os recantos do semiárido brasileiro através das Unidades de Transferências de Tecnologias de cada Centro de Pesquisas fazendo com que as entidades de agricultores passem a trabalhar as tecnologias nos meios produtivos. A rede Embrapa em todo o Brasil tem como meta transferir as tecnologias desenvolvidas para os pequenos agricultores. Como essa tecnologia já está sendo desenvolvida, principalmente na Bahia, é muito fácil que através de nossa unidade aqui em Campina Grande, os agricultores possam fazer uma solicitação e equipes de Petrolina virão pra Campina Grande ou equipes de Campina Grande irão á Petrolina tomar conhecimento da tecnologia e farão o repasse para os agricultores em suas comunidades, exemplifica o pesquisador que também falou sobre o processo de multiplicação da cultura.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural




Enviando...
Deixe seu comentário