Domingo Rural evidencia manejo da Caatinga no Cariri paraibano

No Programa Domingo Rural desta semana(1º de julho de 2007), um dos temas em evidência foi o manejo da Caatinga e alimentação animal, técnicas de convivência sustentável apresentadas por diversas entidades do Cariri paraibano, num Dia de Campo realizado na última terça-feira(26 de junho), tendo como local o Assentamento Zé Marcolino, antiga fazenda Serrote Agudo, no município de Prata, Cariri paraibano.

Domingo Rural compareceu ao local, conversou com agricultores, educadores e representantes das entidades parceiras que, em entrevistas falaram aos ouvintes da Rádio Serrana de Araruna AM 590 kHz, a exemplo do representante da Embrapa Algodão, Louriorlando Bidô da Costa; gerente de negócios da Embrapa Transferência de tecnologias, escritório de Campina Grande, Heleno Alves de Freitas; Professor da UFPB, Daniel Duarte; pesquisador da Embrapa Algodão, Manoel Francisco e o agricultor Djair Miguel da Silva que falaram sobre as experiências desenvolvidas na região caririzeira, seus resultados e as perspectivas de se desenvolver um trabalho sustentável a partir das técnicas trabalhadas no Assentamento Zé Marcolino.

Para o representante da Embrapa Algodão, unidade de Monteiro, Louriorlando Bidô da Costa, o Cariri está vivendo um novo momento com as técnicas apresentadas e vivenciadas pelas famílias de agricultores em parcerias com as entidades parceiras. “Minha avaliação é que está tendo uma mudança muito boa nesse Cariri, não só porque hoje nós temos a Embrapa aqui, as Universidades, está chegando mais este esforço para aqui, então nós vamos fazer um Cariri novo, um Cariri com potência”, argumenta Bidô ao contatar com os ouvintes Domingo Rural.(Entrevista de 05”13 minutos)

Para o gerente da Embrapa Transferência de Tecnologias, Heleno Alves de Freitas, a tecnologia é eficaz e será expandida através de diversas formas e meios, já que a tecnologia está sendo vivenciada pelas famílias de agricultores e parceiras que não medirão esforços para a difusão das tecnologias. “Além de estar contando com o seu apoio nos seus programas na difusão dessas tecnologias, nós vamos fazer um DVD e esse DVD vamos distribuir nas associações, sindicatos de trabalhadores rurais, cooperativas, prefeituras, secretarias municipais, emissoras de televisão para que essa tecnologia, esse trabalho chegue ao maior número de trabalhadores aqui no Cariri aonde nós aproveitamos a potencialidade do Cariri na sua Caatinga fazendo com que os nossos agricultores tenham condições de vida tranqüila e melhorias para todos nós”, argumenta Freitas. (Entrevista de 02”18 minutos)

O professor da UFPB, Universidade Federal da Paraíba, parceiro das atividades, Daniel Duarte, fala sobre as formas e técnicas utilizadas para a convivência no semi-árido brasileiro, sobre o trabalho que se desenvolve com o desbaste das plantas, de forma a produzir ração para os animais sem ter que derrubar as matas nativas, tornando a atividade camponesa viável. “A proposta de manejo da Caatinga surgiu a partir do momento em que a Universidade Camponesa que é um curso de extensão da Universidade Federal de Campina Grande se instalou aqui no Cariri, mais especialmente na Escola agrícola, então no momento em que a gente estava discutindo o modo de recursos naturais, a gente fez a demonstração junto aos alunos e a idéia foi plenamente absorvida, depois a Embrapa se incorporou e agora nós temos Embrapa, Projeto Dom Helder Câmara, várias associações de assentados, várias associações das comunidades rurais aqui do Cariri, e a gente espera principalmente que os instrumentos de crédito, como Banco do Nordeste e Banco do Brasil comecem a absorver essa idéia também, porque infelizmente as políticas públicas tipo Pronaf, que é uma política pública que veio para o bem estar do produtor rural, infelizmente, ainda tem nas suas planilhas de projeto a verba para desmate, para aceiro, para encoivaramento e queima, quer dizer, esta proposta para o Cariri tem que ser extinta e que infelizmente nós não notamos aqui a presença de nenhum representante das instituições de crédito aqui do Cariri que são responsáveis diretos pelo financiamento de projetos como este”, argumentou o professor justificando que os agentes das instituições bancárias receberam o convite e não compareceram ao evento que propõe mudanças de práticas e hábitos. (Entrevista de 09”31 minutos).

Outro entrevistado no Domingo Rural foi o pesquisador da Embrapa Algodão, Manoel Francisco, que falou sobre as técnicas desenvolvidas para o a convivência no Cariri paraibano, informando que a Embrapa vem desenvolvendo trabalhos de pesquisas de convivências citando como exemplo a Embrapa Algodão, Embrapa Caprinos e Embrapa Semi-árido (Entrevista de 02”17 minutos).

“Desde que eu tinha dez anos que eu trabalhava com meu pai, vamos brocar, vamos botar fogo pra plantar, fazer broca. Queimava tudo. Teve campo lá que o primeiro dava, o segundo era mais fraco, e o terceiro não prestou mais pra plantar por causa da erosão, não prestou mais para plantar nada naquele local”. O argumento é do agricultor experimentador, Djair Miguel da Silva, residente no Assentamento Zé Marcolino, antiga Fazenda Serrote Agudo que falou para os ouvintes da Rádio Serrana sobre o que representa trabalhar dentro de um manejo sustentável na Caatinga do Cariri paraibano, citando como exemplo sua prática antes e a forma de produção desenvolvida na atualidade.(Entrevista de 03”10 minutos).

“A avaliação é muito positiva porque com uma ação dessa a agente mostra que é viável fazer o manejo da Caatinga na região semi-árida e, isso vai contra a atividade que é feita pelo Pronaf , onde a gente vê aí que usualmente: o que é que eles fazem? Desmatam uma área, totalmente, para introduzir uma cultura”. A afirmativa é do representante do Projeto Dom Helder Camara, Fábio Sousa, que falou para os ouvintes da 590 kHz sobre onde tem início o trabalho, seus objetivos e os passos que serão dados junto as organizações bancárias e ações públicas de financiamento no sentido de mostrar que as formas e programas de financiamentos estão equivocados e que na sua essência estimulam as práticas de desenvolvimento geradoras de devastação e empobrecimento cultural, econômico e ambiental da região. (Entrevista de 03”27 minutos).

Para ouvir o Programa Domingo Rural, contendo todas as informações, basta você acessar o http://www.studiorural.com/ e na parte superior do Site clicar em “Ouça aqui o último programa”, onde se encontram programas de diversas semanas, apresentando entrevistas, músicas regionais de resistência, poesias e informações voltadas para a sustentabilidade da região.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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