Educador afirma que o semiárido precisa ajudar o Brasil na construção de um projeto claro de nação

Um projeto claro de nação é o que está faltando para que o Brasil dê um salto qualitativo rumo ao real desenvolvimento sustentável que pense seu povo a partir da realidade nacional e local relacionado á vida do planeta como um todo.

A opinião é do professor físico geral da UFCG, Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Cajazeiras, Rovilson José Bueno, ao dialogar com a equipe do Programa Domingo Rural durante o Seminário Nacional Sobre Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido, evento que aconteceu recentemente na cidade de Campina Grande. “Você imagina assim, não é novo, se você lembrar, por exemplo, Paulo Freire, Celso Furtado, Vieira Pinto, se você lembrar toda essa intelectualidade que se juntou aos movimentos sociais do início da década de 1960, quarenta e tantos anos atrás, qual era o grande problema que a gente se colocava como sociedade brasileira naquele momento? A construção de um projeto nacional. Ora, porque é que nós temos grandes problemas em educação? É porque nós não temos um projeto de nação, se nós tivéssemos um projeto de nação nós podíamos dizer pra onde a gente quer ir. Que educação a gente quer. Quais ao nossos desejos, nossos interesses enquanto povo. Nós não conseguimos fazer isso até hoje. Então a educação como você bem disse não é um problema da RESAB, não é um problema do governo do estado da Paraíba, não é um problema do governo Lula, não é um problema só de governo, não é um problema só de estado, mas é um problema de nação, então deve interessar a todos nós indiferentemente”, afirma o educador ao conversar com a equipe do Programa Domingo Rural da Rádio Serrana e suas emissoras parceiras.

Rovilson falou sobre o trabalho que vem sendo feito na construção de uma educação contextualizada que servirá de referência na construção de um projeto maior para que, a partir dessas informações e ações compartilhadas com as regiões diversas do país, possa-se promover as transformações e diz acreditar que pouco a pouco estamos desconstruindo o modelo burguês de educação para assumir com um modelo apropriado de educação contextualizada na vida do semiárido brasileiro. “Eu acredito que sim, nós temos não só uma linguagem, mas nós temos toda uma representação também que veio de fora pra dentro, que nos fez acreditar num semiárido como impossibilidade, em nós como pobres e indigentes e um primeiro momento dessa prática é conhecer essa linguagem, é conhecer a história da formação do semiárido brasileiro, como você diz, é preciso desconstruir isso. É a nossa linguagem, a nossa cultura que faz frente a isso, é esse conflito que tem que produzir essa desconstrução. É importante que os meninos e as meninas da educação básica entendam como é que isso veio de fora pra dentro, como é que isso se instituiu tanto nas políticas públicas como na escola, como na nossa família, como na nossa linguagem, como isso invadiu nossas feiras livres, nosso artesanato, nosso teatro, não se pode jogar fora isso que aconteceu historicamente pra desconstruir isso. Pra valorizar o semiárido, o povo do semiárido brasileiro, nós vamos ter que desconstruir isso sim”, explica Rovilson.

Ele citou como exemplo de resgate de alto-estima no povo da região semiárida, as ações desenvolvidas pelas entidades da ASA Brasil, Articulação do Semiárido Brasileiro que, pouco a pouco, mostram que as ações estruturadoras nas unidades familiares têm mais importância para a vida desse povo que as obras faraônicas historicamente trabalhadas e desenvolvidas com políticas que sempre vinham de cima pra baixo sem a participação da sociedade e, ao final, sem o mínimo desfrute por parte da sociedade e diz que essa nova construção não é fácil de ser engendrada pelas entidades sociais e governamentais. “A RESAB ela nasce a dez anos atrás com a sistematização e a preocupação desses movimentos sociais, dessas organizações não governamentais, das comunidades, das suas associações comunitárias, dos artistas, inclusive cantadores populares, ou seja, do povo do semiárido brasileiro, essas experiências que você diz elas vêm pra dentro da RESAB, então elas são constituintes de todo esse processo de construção de contextualização da educação do semiárido brasileiro e você diz bem também: é muito diferente você trabalhar numa situação em que você tenha organizações isoladas do ponto de vista de que não estão numa rede porque as organizações não são isoladas, mas elas estando numa rede é claro que a administração disso fica difícil, não que nós não tenhamos princípios que são comuns, mas porque nós temos práticas e contextos dentro desse contexto maior que é o semiárido brasileiro. Outras dificuldades que você poderia ver claramente é esse diálogo que eu chamo até de negociação entre o poder governamental e as organizações da sociedade civil”.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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