Encontro intermunicipal de associações da agricultura do Pólo identifica politicagem no Cooperar

Representações diversas de agricultores e agricultoras da região do Pólo da Borborema realizaram um encontro intermunicipal de associações de agricultores para discutir os programas do Cooperar que, segundo as organizações, tem sido um instrumento que não tem levado em consideração os projetos de desenvolvimento da agricultura familiar paraibana.

Para as lideranças, o Cooperar tem servido como instrumento de angariar votos para políticos profissionais que fazem com que projetos de correligionários locais sejam aprovados com liberação de recursos, enquanto isso as associações que têm história de ações coletivas de trabalho de convivência com a realidade semiárida que não sejam atreladas a esses políticos fiquem sem aprovação, penalizando importantes projetos de desenvolvimento sustentável da região e do Estado da Paraíba.

“Nós estamos aqui hoje Pólo Sindical, as associações e as organizações dos agricultores pautando a questão do Cooperar e acima de tudo refletindo de qual o papel do Cooperar para o fortalecimento da agricultura familiar e de como as associações e organizações podem estar refletindo de como está garantindo melhor condições de vida para o homem e mulher do campo, então na verdade a gente tem história aí de em que essas políticas vêm para aprisionar realmente os agricultores e agricultoras onde a gente sabe da história e cultura da política e hoje enquanto Pólo Sindical estamos aqui para refletir realmente de qual o papel do cooperar, porque quando o Cooperar chega ele não chega no vazio, nós já temos realmente um projeto de agricultura familiar com bases agroecológicas que vem garantindo melhores condições de vida para homens e mulheres no campo. Então a vida das pessoas que vivem aqui na região realmente tem mudado , a gente percebe que tem mudado sua alimentação, sua forma de trabalhar na terra e sua preocupação com o meio ambiente”, explica Maria Leônia Soares da Silva, Léia, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Massaranduba, participante do evento e diz acreditar que é preciso que projetos estruturadores de convivência com o semiárido tenham mais ênfase nos programas de aplicação de recursos do Cooperar.

Léia diz que os projetos com recursos liberados estão, em sua maioria, ligados á políticos clientelistas que usam da influência e fazem o projeto acontecer numa lógica política que supera a viabilidade técnica de inclusão social e viabilidade socioambiental. “Infelizmente temos esse quadro onde as pessoas têm uma relação com o político tal ou não e o projeto acontece e assim esse é um desafio pra nós enquanto representantes está colocando essas questões nos municípios porque o papel do Cooperar não é esse e de outras políticas também não é esse. É de fortalecer a agricultura familiar nos nossos municípios, em algumas pessoas do Cooperar, inclusive, há uma contradição entre as pessoas que vão contribuir nos municípios, então algumas pessoas que estão contribuindo no município não respeitam a dinâmica local, então isso é colocado como desafio para nós que estamos lá a frente das organizações”, explica aquela liderança que é componente do Pólo Sindical e das Organizações da Agricultura Familiar da Borborema.

Nelson Anacleto é componente do Pólo Sindical da Borborema e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca com atuação na agricultura familiar daquele município e, ao participar do Programa Domingo Rural deste domingo(25/09), disse ser um encontro com objetivos claros de provocar o processo de democratização de todas as formas de gestão de recursos públicos para que o desenvolvimento se dê a partir da vontade da sociedade civil organizada e não da vontade política de um técnico burocrata ou manobras políticas de agentes que determinam projetos como forma de manter a sociedade condicionada a vontade política desses agentes políticos. style=mso-spacerun: yes>  “Eu acho que os questionamentos que as associações colocam realmente tem um fundo de verdade muito grande, porque sempre os projetos que foram feitos pelas associações, aqueles que tiveram apadrinhamento style=mso-spacerun: yes>  de um político ligado ao governo tinham uma possibilidade muito grande de ser aprovado, aquelas associações que tem um caráter independente que não estão atreladas a político nenhum, dificilmente tem seus projetos aprovados. Nós esperamos que isso mude. Quer dizer que hoje qual é a perspectiva para nós dessas associações? É que as coisas mudem e que os projetos para serem aprovados não seja necessário apadrinhamento”, denuncia e reivindica Anacleto dizendo que uma moção será lançada como forma de fazer chegar ao governo do estado e setores diversos o resumo das insatisfações e perspectivas da agricultura familiar organizada.

Pedro Pereira da Silva é agricultor e representante da Associação Santa Rosa, em Lagoa Seca, participou do Programa Domingo Rural e disse que a realidade é essa em discussão e garante que projetos importantes deixaram de ser aprovados, penalizando aquela coletividade. “Somente quando a gente começa analisar assim dá até a entender que é um palanque político e em muitos casos é. Eu falo isso porque eu enquanto representante daqui da Associação Santa Rosa de Lagoa Seca, no Sítio Lagoa do Gravatá, eu já estou com três projetos que eu passei para o Cooperar, três e nenhum passou pra sair os recursos de interesse pra comunidade, porque? Porque chegou um próprio deputado lá em João Pessoa que só fez desengavetar o projeto e dizer: não governador, esse projeto aqui não vai pra essa associação, pensava que ia me prejudicar, e não, prejudicou foi a comunidade e até o próprio município”, argumenta o líder agricultor dizendo que só com organização e ampla discussão esse realidade poderá mudar.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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