Encontro reafirma compromisso com fortalecimento de bancos de sementes no coletivo do Cariri, Seridó e Curimataú

Construir uma estratégia para a continuação das ações fortalecedoras ao trabalho desenvolvido pelas guardiãs e guardiões das sementes tradicionais na região do Coletivo que envolve municípios do Cariri Oriental, Seridó e Curimataú foi o ponto principal de um encontro das três comissões temáticas do Coletivo Regional que aconteceu na tarde do último dia 3 de agosto no salão paroquial da cidade de Soledade e que objetiva preservar o patrimônio genético de sementes de plantas medicinais, culturas vegetais tradicionais da agricultura e de fundamental importância para a segurança alimentar das famílias camponesas e sementes das criações animais adaptadas para o processo de convivência com a região semiárida.

No encontro que acolheu dezenas de agricultores e agricultoras experimentadores os participantes se comprometeram em intensificar as ações com os bancos comunitários e familiares de sementes da paixão nos diversos municípios, fortalecendo os já existentes e criando novos bancos, dar continuidade aos trabalhos dos guardiões das sementes que estão em diversas comunidades das microrregiões e que vivem experiências para a preservação de sementes alem de desenvolver pesquisas participativas em parcerias das entidades com unidades da Embrapa.

O grupo social lançou como estratégia fazer um trabalho entre as comissões semente e água para desenvolver ações de conservação de espécies importantes para a agricultura local mesmo em anos com escassez de chuvas, preservando sementes de culturas forrageiras para alimentação animal e cultura para a alimentação humana a partir dos processos de armazenamento da água e práticas solidárias com fundos rotativos de animais.

Segundo a assessora da ONG PATAC, Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada as Comunidades, Maria da Glória Batista(foto), as famílias estão cada vez mais convictas de que sementes são todas aquelas formas de preservação da vida através dos instrumentos genéticos que envolvam gêneros animais e vegetais. “É que essa idéia de que tudo isso é semente é também um resgate da própria compreensão dos agricultores familiares. Alguém dizia assim: minha avó dizia: eu guardei a semente de uma galinha poedeira, então eu tenho aqui uma semente de uma galinha poedeira, então essa história de chamar de semente já faz parte da cultura camponesa e aí foi importante a gente trazer no processo de formação a semente no sentido de ser semente planta, semente semente, semente animal, semente a terra que eu gosto, semente a água que eu conservo, semente riacho, semente olho d’água, então semente no sentido pleno, de vida, porque semente é ela que vai fazer com que a vida se reproduza, que ela continue existindo e pra essa vida continuar existindo as sementes têm um papel muito importante”, explica Glória.

Batista garantiu que muito trabalho virá pela frente com estratégia de ação para cada um em cada comunidade de cada microrregião no meio produtivo do meio rural. Ela garantiu que o forte da luta para esse segundo semestre do ano é o trabalho de organização para conquista e abastecimento dos mercados locais como forma de se fazer uma divulgação das ações desenvolvidas no meio rural agroecológico a partir dos produtos alimentícios ofertados ao mercado consumidor na perspectiva de unir cada vez mais os interesses do meio rural com os centros urbanos, na perspectiva do desenvolvimento regional. “Agora no segundo semestre é no sentido também da produção de alimentos e a conexão com o mercado em que acho que com a produção de alimentos na verdade a gente quer segurança alimentar para as famílias, mas também as famílias já começam a partir desse trabalho a produzir o alimento pra sua auto-sustentarão, seu auto-consumo, mas também a família já está começando a ter um excedente para o mercado. Então daqui pra frente só tem desafios, já vem a estória do mercado que é algo que também já começa a ser discutido e que já está acontecendo nas comunidades, então é outro veio, outra via que faz com que gente trabalhe e consiga desenvolver uma ação, uma abordagem metodológica onde o próprio agricultor seja o construtor desse processo, então aquilo que se constrói com a participação das pessoas eu acho que é algo que se concretiza. Então não adianta a gente está só planejando, mas o que nos resta é está nessa relação com os agricultores, acompanhar esse trabalho e compete também a gente não só acompanhar, mas a gente sistematizar o que eles estão fazendo e dar visibilidade pública a esse trabalho que é feito em cada cantinho e que é preciso que a sociedade conheça”, explica aquela assessora ao dialogar com os ouvintes do programa Domingo Rural do domingo(07/08).

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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