Entidades da ASA discutem perigos dos transgênicos e eficácia da semente da paixão

Discutir a eficácia da semente da paixão fazendo uma comparação com produtos com potencial para prejuízos a saúde das famílias agricultoras, dos consumidores e do maio ambiente a exemplo das sementes transgênicas foi um dos objetivos do encontro que aconteceu quinta e sexta-feira(18 e 19/03) em Campina Grande e Lagoa Seca.

No primeiro dia de evento, agricultores e agricultoras experimentadores discutiram a atualidade da prática no uso de sementes da agricultura familiar em todo o estado da Paraíba que, em bancos familiares e comunitários de sementes conservam valores genéticos tradicionais que são utilizados de geração a geração e ao mesmo tempo resistem e denunciam os perigos apresentados pelas sementes transgênicas.

Para o agricultor familiar e responsável pelo banco comunitário de sementes da Comunidade São Tomé II, em Alagoa Nova, José Luna de Oliveira, Zé Pequeno, o encontro faz com que cada agricultor e agricultora volte para sua unidade produtiva com mais entusiasmo no processo de ampliação das ações já que com os depoimentos apresentados por grupos de agricultores das regionais da Paraíba, fica mais claro que a forma de preservação e melhoramento das sementes com o trabalho através do Bancos Comunitários de Sementes é a verdadeira alternativa que a categoria tem para resistir as políticas de mercado que, pouco a pouco, tira a autonomia das famílias em torno de suas sementes de produtos vegetais style=mso-spacerun: yes>  e animais. “Vale a pena porque o encontro com esse dia de formação da semente da paixão a gente volta mais fortalecido para nosso campo porque a gente vê muita gente com garra defendendo essa semente que é essa semente é a nossa vida, essa semente é uma semente que é nossa e a gente temos que cuidar dela com muito amor e muita garra porque eu comparo essa semente da paixão como sangue na nossa veia, se não corre o sangue a gente não tem vida, e a semente da paixão é a nossa vida”, argumenta aquele agricultor experimentador ao dialogar com os ouvintes da Rádio Serrana de Araruna em conexão com a Rádio Cultura de São José do Egito e Rádio Independente do Cariri, acrescentando que a semente está sendo perseguida com a visão de mercado, mas que as organizações de agricultores estão deixando mais claro o perigo das políticas de mercado quando comparado ás sementes tradicionais.

José Pequeno falou sobre as conquistas por porte dos movimentos da agricultura familiar dentro dos governos na busca de aliados que entendem a importância da preservação dos bens genéticos na agropecuária familiar citando como exemplo na Paraíba, seguimentos importantes na pesquisa da Embrapa e Ministério do Desenvolvimento Agrário através do delegado federal do desenvolvimento agrário, Marenilson Batista da Silva dentre outras organizações governamentais federais, estaduais e municipais. “A gente ver essa preocupação, infelizmente eles são funcionários do governo, eles não podem diretamente dar aquilo que eles querem contribuir com a gente porque infelizmente eles são funcionários de uma empresa, mas eles vêem a realidade, eles são pessoas que vieram da raiz da agricultura, elas são pessoas que estão entendendo a preocupação e, portanto, eles estão querendo adquirir e transmitindo para nós e agente transmitindo para eles a nossa preocupação, e, portanto vale, a gente trazer eles porque eles são governo também e a gente precisa que o governo entenda a nossa preocupação de que a semente crioula é a semente nossa e ela tem que permanecer no nosso meio e tem que ter políticas públicas que venham fazer com que isto aconteça cada vez mais nosso dia a dia”, argumenta Zé Pequeno.

Amaury Santos é pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, participou do encontro como expositor de ações e tecnologia que vêm sendo aplicadas juntos as entidades de agricultores e agricultoras do estado da Paraíba a exemplo de um trabalho com variedades de milhos adaptadas a agricultura estadual que foi implantado no município de Casserengue e que envolve as entidades da ASA Paraíba. “Nós estamos demonstrando resultados iniciais de um trabalho feito em Casserengue no ano passado com variedades locais, então mostramos resultados vendo que as variedades locais deixam nada á desejar com relação a variedades do governo, no Catingueiro no caso, não que o Catingueiro seja um milho ruim, pelo contrário, é um milho bom, só que eles não querem aceitar que um mesmo milho seja usado em todo o semiárido, existem as próprias diferenças em cada lugar, não é tudo igual, então tem suas especificidades e nós temos que trabalhar isso”, relata Amaury, lembrando que a pesquisa que vem sendo feita conta com a participação das entidades diversas que discutem sustentabilidade agroecológica no Estado da Paraíba.

Para o delegado federal do desenvolvimento agrário no estado da Paraíba, Marenilson Batista da Silva, uma característica do Ministério do Desenvolvimento Agrário é reconhecer e reforçar as lutas dos seguimentos da agricultura familiar, especialmente os setores que busquem alternativas de produção sustentáveis que pensem a vida de quem produz, de quem consumo e do próprio meio ambiente. “O Ministério do Desenvolvimento Agrário entende a necessidade de fortalecer a agricultura familiar e um dos pontos que nós consideramos que mais fortalece a agricultura familiar se chama autonomia das sementes e quando nós estamos falando em autonomia das sementes a gente está falando em dois pontos importantes que é a parte do consumo da segurança alimentar e a parte do diálogo com o mercado das suas sementes, ou seja, agricultor nenhum consegue ter a autonomia se não produzir sua própria semente e se não tiver esses espaços de comercialização e esses espaços de consumo”, explica Marenilson ao dialogar com os ouvintes do Programa Domingo Rural deste domingo(22/03).

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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