Entidades de agricultores do Auto Sertão realizam encontro para discutir reforma agrária e segurança alimentar

Entidades de agricultores de 54 municípios do Alto Sertão que trabalham o processo de convivência com o semiárido estarão se reunindo durante os dias 30 e 31 deste mês na cidade de Brejo das Freiras para discutir a trajetória de luta organizativa da ASA Paraíba com ações práticas na agricultura agroecológica e ao mesmo tempo fazer um amplo balanço sobre o número de pessoas que estão com pouca terra para a produção de alimentos e sem terra para o processo de produção agrícola e segurança alimentar.

Maria do Socorro Gouveia(foto) é representante da ASPA, Associação dos Apicultores do Alto Sertão que tem sede na cidade de Aparecida, participou do Programa Domingo Rural deste domingo(21/08) e falou sobre a realização do evento que finaliza as atividades das organizações daquela microrregião neste mês de agosto. Esse encontro vai atingir todas a diocese de Cajazeiras que é composta de 54 municípios, nós vamos trabalhar dois temas muito importantes pra gente que é a questão da reforma agrária e a segurança alimentar, vão estar presentes as comissões municipais que estão nos municípios trabalhando a questão da convivência com o semiárido, vão está agricultores experimentadores que têm as suas experiências, têm também as implementações hoje do P1+2 e vão estar as entidades que compõem a articulação do Sertão”, explica aquela liderança citando nomes de entidades diversas e garantindo que muitas famílias agricultoras já estão chegando ao seu limite de produção de alimentos em razão das poucas terras possuídas que possam atender a demanda do grupo familiar. “Bem, trabalhando o P1+2 percebe-se que um dos grandes problemas é a falta de terra para as famílias, é uma implementação que as famílias só podem receber se tiver um pedaço de terra pra fazer a barragem, a cisterna calçadão, então a gente se depara lá nas cidades onde as famílias não têm a terra e a terra ainda está concentrada”, explica lamentando que muita água nos açudes construídos com recursos públicos ainda estão paradas e concentradas nas propriedades provadas.

Ela disse que se identifica duas categorias de camponeses no Alto Sertão: o pequeno agricultor em que a família foi crescendo e as unidades rurais produtivas foram ficando pequenas e as famílias camponesas sem terra que ficam condicionadas em não fazer parte dos programas governamentais por não terem como receber equipamentos importantes para o processo de convivência na região. “Antigamente a família era de dez filhos, oito filhos e aquela propriedade era dividida entre os filhos e aí se transforma nessa realidade que você está vendo, se torna pequena porque eu fico com um pedaço de terra de meu pai, mas eu já tenho três ou quatro filhos que estão morando ali e vai ser uma outra fração daquela terra que vai ficar mais pequena e finda as pessoas tendo apenas a casa pra morar e ao redor da casa, sem nada para a produção porque aquela fração de terra que eu tinha eu vou dividir com meus filhos para não estar na cidade pagando aluguel”, afirma Gouveia.

Socorro diz ser perceptível que o Sertão tem muita terra sem gente, mas também tem muita gente sem terra o que pede por atitudes políticas para transformar essa realidade. “É justamente, e aí as propriedades que antes eram do ciclo do algodão, do ciclo da bovinocultura eram terras trabalhadas e que hoje são terras abandonadas, não têm moradores nem nada porque os proprietários botaram tudo que era de moradores pra fora e são terras que precisam ser distribuídas para quem precisa de um pedaço de terra”.

Ao dialogar com os ouvintes do Domingo Rural, Socorro disse que a realidade no Sertão é muito boa no processo de experimento da agricultura agroecológica já que as famílias que estão conseguindo ser contempladas com os programas de convivência com a realidade semiárida já estão num processo de alimentação saudável para a família e fazendo parte de espaços de vendas diretas ao consumidor além de fazer parte de importantes programas governamentais de vendas dos produtos da agroecologia camponesa a exemplo do PAA, Programa de Aquisição de Alimentos e PNAE, Programa Nacional de Alimentação Escolar.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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