Festa Regional das Sementes da Paixão revela trabalho com beneficiamento de frutas nativas

Trabalhar com o beneficiamento de frutas nativas a exemplo de doces, suco, geléias, compotas dentre outros produtos provenientes do umbu, mamão e outras culturas que antes se perdiam sem um aproveitamento racional para ser usado na alimentação das famílias de agricultores e agricultoras. Esse é o papel de um grupo de mulheres da comunidade Conoa de Dentro, município de Pedra Lavrada, que ao participar da IV Festa Regional das Sementes da Paixão expuseram uma ampla linha de produtos que além de serem usados na alimentação da família já são vendidos em mercados locais, aos programas sociais da prefeitura daquele município e até ao mercado consumidor de Campina Grande.

Segundo a representante da Associação dos Agricultores da Comunidade Canoa de Dentro e do Grupo de Mulheres que trabalham o beneficiamento das culturas, Maria Betânia Buriti Alves, o trabalho teve início a partir de uma visita de intercâmbio promovida pelo PATAC e Coletivo Regional de Educação Solidária, na comunidade Lajedo de Timbaúba, município de Soledade-PB, num processo de aprendizado transferido e aplicado em Canoa de Dentro proporcionando, atualmente, o beneficiamento de produtos diversos de frutas nativas da própria região. “Esse produto aqui que você está vendo é a compota de umbu: é uma sobremesa que é colocada nesta embalagem juntamente com a calda após passar por processo de cozimento á banho-maria em que após 25 minutos que ele está em banho-maria já está pronto. Temos também o doce de umbu em corte, temos doce de mamão, o suco de umbu que, numa garrafinha desta que você está vendo, é um suco retirado da fruta mesmo e que nesta garrafinha de meio litro você acrescenta ainda dois litros de água pra poder ser consumido”, explica a agricultora, justificando que são produtos sem venenos, corantes, conservantes e até mesmo livres do uso de geladeiras.

A agricultora explicou sobre como é feito o processo do suco do umbu retirado da fruta através de uma suqueira especial no formato de uma cuscuzeira e que é utilizada pelos agricultores para a extração do suco da fruta nativa da região. “Aqui é o suco retido da fruta mesmo, através de uma máquina que a gente tem que é a suqueira(foto), essa suqueira é dividida em três partes, na parte de baixo a gente coloca a água, o vapor vai subindo e cozinhando a fruta que está na parte de cima(3ª parte), e o suco da fruta vai descendo para a parte do meio de onde a gente retira o suco da fruta mesmo”, argumenta a agricultora experimentadora, dizendo que do jeito que o líquido do umbu vem quente é logo colocado em uma garrafa esterilizada e armazenado em local arejado sem uso de geladeira.

A liderança explicou que a região é marcada por grandes produções de umbu e que a safra é toda vendida a preços com pouca significância já que a população pouco valoriza e os compradores é quem determinam o preço do produto no mercado. “Antes de a gente conseguir o material pra gente está trabalhando saiu da nossa comunidade 3 mil caixas de umbu pra ser vendido em outros estados, coisa que a gente podia estar trabalhando já que todo ano aqui a safra de umbu é ótima. Se a gente não tivesse ido conhecer essa experiência fora nós estávamos jogando fora uma fruta por não está conhecendo o que pode ser feito do umbu.”, argumenta a agricultora, complementando que já estão sendo feito seis tipos de produtos do umbu e que está sendo apurado cerce de R$ 50 reais pela mesma caixa de umbu que antes era vendida ao preço de R$ 4,00 reais. “A gente conseguiu aumentar a renda nossa em casa, deixou de está pedindo um dinheirinho ao marido prá está comprando uma coisa que é preciso pra o filho ou precisa pra casa, isso a gente já tem nosso dinheirinho”, comemora Betânia, lembrando que após o inverno as atividades econômicas são poucas e que com o beneficiamento da fruta nativa, logo que passa a safra as famílias procuram o mercado na busca da venda dos produtos armazenados, reafirmando a importância das entidades de agricultores na vida das famílias agricultoras.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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