Liderança sindical denuncia inversão em programa de documentação do MDA e desrespeito com sindicato rural

Uma verdadeira falta de respeito com o sindicato dos trabalhadores rurais e diminuição na eficiência dos trabalhos dentro do Programa de Documentação da Trabalhadora Rural, essa foi a tônica do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros Barreto, durante uma reunião com o delegado federal do MDA, Luiz Gonzaga Júnior e do Adjunto da mesma delegacia paraibana, Antônio Alves da Silva, num encontro de sindicatos rurais em Campina Grande na última sexta-feira(10).

Ao fazer uso da palavra, Medeiros disse para as autoridades que a prática do Governo Federal é a de procurar o movimento sindical quando precisa do apoio da categoria em horas difíceis, mas faz a gestão de forma isolada dialogando com outros segmentos e desprestigiando o movimento que tem expressiva representatividade e citou como exemplo uma ação do MDA desenvolvida na cidade de Barra de Santana, em 2014, quando executou o Programa de Documentação da Trabalhadora Rural sem a construção de diálogo com a entidade representativa das famílias agricultoras e trabalhadoras rurais daquela municipalidade gerando amplo desagrado a categoria e, como resultado final do trabalho, amplo esvaziamento da ação governamental. “O que é que a gente tentou mostrar? É que todo mundo sabe, é notório para toda a sociedade brasileira que governo do PT nasce dos trabalhadores, nasce no berço do movimento sindical. Quem dá suporte pra esse governo do PT chegar ao poder são os movimentos sindicais, a CUT e tantos outros movimentos envolvidos, tanto na questão de levantar a bandeira como de custear a bandeira e o que observamos é que quando o governo chega ao poder, quando o PT chega ao poder, ganha o governo, foi esquecendo tudo aquilo, hoje uma ONG, uma associação, cooperativa debaixo do braço de um político tem toda a força, e o movimento sindical está totalmente esquecido, ele é somente pra ser cobrado como estamos sendo cobrados agora pra ir às ruas pra defender o governo como nós fazemos e vamos fazer, agora nós temos também que colocar o nosso ponto de vista de que nós queremos o respeito que merecemos, não é só pra ser cobrado não, é pra ser cobrado e é pra ser também beneficiado”, expressa Medeiros Barreto ao dialogar com nosso público ouvinte do Programa Domingo Rural e Esperança no Campo, dialogo que também ecoou durante o encontro como forma de sensibilizar as autoridades governamentais presentes e as representações sindicais.

Frente a frente à mesa das autoridades e ao mesmo tempo com o movimento sindical, Medeiros disse estar bastante insatisfeito com a prática da Delegacia Federal no Estado, detalhando a prática da representação do governo federal e relembrando as vezes que procurou a delegacia para explicar que o sindicato havia expedido documento pedindo o Programa de Documentação da Mulher Trabalhadora Rural para o município e tendo assistido a insistência  do MDA em desenvolver o trabalho com outros segmentos dentro do município. “As ações que vêm para o município através do movimento sindical que tem uma ação efetiva, não é só pra ir para os conselhos para aprovar aquilo que foi bom ou foi ruim, nós queremos participar efetivamente na construção dessas políticas públicas, na construção desse projeto de governo e não ficar somente a reboque de uma política pra ser chamado somente na hora em que o governo esteja em dificuldade. Na hora que é pra fazer as nomeações vai atrás de um deputado, de um prefeito, de um governador seja quem for, esquece a estrutura sindical, na hora de um momento de crise aí vamos chamar o movimento sindical pra rural”, relata detalhando o ocorrido em Barra de Santana como exemplo.

Medeiros disse temer que a realidade de Barra de Santana se repita em outros municípios já que trata-se de um programa a ser desenvolvido com as forças locais alinhadas pela representação dessa categoria que é o sindicato dos trabalhadores e trabalhadoras rurais. “Esse ano que passou, 2014, nós estávamos com ofício lá pedindo para que no dia 12 de dezembro fosse Barra de Santana contemplada com o programa de documentação no sindicato, só que infelizmente o rapaz que está à frente, o Abdon foi lá, entregou o projeto e fez com que obrigasse o prefeito a ficar com esse evento lá nesse dia 12, só que a prefeitura não podia no dia 12 e eles marcaram para o dia 15 dia em que a prefeitura queria e ou podia, eu achei muito desrespeitoso por parte dele já que ele não atendeu a reivindicação nossa, não fez alusão nenhuma ao sindicato, simplesmente disse que era um convênio com a prefeitura que não é, ele mentiu porque não tem lá em canto nenhum dizendo que tem que ser um convênio com a prefeitura e simplesmente ele desrespeitou fazendo esse convênio com a prefeitura e pior, quem perdeu foram os agricultores porque no dia 15 não fizeram nem 20 atendimentos pelo que me consta quando procurei saber, os agricultores perderam e a gente ficou realmente chateado com a postura que ele tomou lá no município. Então chamei a atenção dos senhores e vou levar essa questão para a CONTAG, em Brasília, e vou levar para a CUT nacional também porque foi desrespeitoso numa forma que não poderia ter sido feito e vamos denunciar para que não mais se repita, porque comigo já aconteceu, mas para que não aconteça com outros companheiros no movimento sindical”.
O delegado federal do MDA, na Paraíba, Luiz Gonzaga, disse reconhecer o ocorrido, argumentou que as ações serão repensadas e disse que o conjunto das ações positivas acontecidas dentro do estado devem ser motivo de superação desse entrave acontecido e relatado pela liderança sindical no encontro em Campina Grande.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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