Mesmo com frustração de safra, Cariri vive esperança em estruturações de propriedades familiares

Em pleno final de maio o Cariri já vive a frustração do inverno 2010 e, consequentemente, na safra agrícola e ameaça para com a pecuária de toda a região. Diante da ausência das chuvas, sobra como alternativa ás ações desenvolvidas pelas famílias agricultoras acompanhadas pelas entidades da ASA-PB, Articulação do Semiárido Paraibano a exemplo do trabalho desenvolvido pela ONG PATAC na parceira com o Coletivo Regional do Cariri, Seridó e Curimataú com trabalho que envolve ações estruturadoras com forragem para o fortalecimento da pecuária familiar, beneficiamento de frutas nativas a exemplo do umbu que são possíveis com as estruturas hídricas a exemplo das cisternas de placas e cisternas calçadão que conseguem acumular volumes de água nas eventuais quedas de água dentre outras ações.

Neste domingo(30) o Programa Domingo Rural conversou com a representante do Coletivo Regional, Cláudia Luciana Cavalcante da Costa, falando sobre a importância, neste momento, das ações desenvolvidas nas unidades rurais de 11 municípios mobilizados pelas entidades da ASA a exemplo de Soledade, São Vicente do Seridó, Juazeirinho, Olivedos, dentre outros que estão beneficiados pelas ações que proporcionam produção com qualidade para a segurança alimentar e o excedente para o mercado com venda direta ao consumidor. “O trabalho que o Coletivo vem fazendo nessa região é de valorizar o que se tem dentro da propriedade a partir dos barreiros, das cacimbas, das cisternas, das pequenas barragens, mas também está chegando no Coletivo outras implementações a exemplo das cisternas de 52 mil litros de água que está fazendo uma diferença, pequena ainda porque está sendo implementada, as cisternas do P1+2 estão chegando e esse ano também não foi muito favorável pra chuva e que em algumas cisternas dessas a gente não conseguiu captar muita água, mas a gente tem percebido que os agricultores já começam a vislumbrar outros tempos a partir dessas cisternas que pra muitos não significa nada, mas para quem sabe utilizar a água isso já faz uma pequena diferença a partir da alimentação da família e dos animais”, afirma aquela liderança ao dialogar com os ouvintes das emissoras parceiras.

Ela lembrou que um primeiro passo desenvolvido enquanto mobilização das entidades juntas ás famílias foi a construção das cisternas de placas associadas a outras implementações e, a partir daí, percebeu-se que a produção com perspectivas da segurança alimentar e a conquista de mercado deveria ser um dos passos a serem desenvolvidos, surgindo assim a idéia das cisternas calçadão que hoje se transformam em políticas públicas de governo e são financiadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome. “Na verdade quando a gente trabalhou a primeira água que a gente afirma que é pra beber e cozinhar, a gente entende que para o agricultor viver bem ele não só precisa beber e ter a água pra botar o feijão no fogo, mas o que também além dessa água vai pra panela, como era que a gente poderia garantir uma hortaliça ou alguma coisa nesse sentido e foi pensado uma cisterna maior e como seria esse sistema de captação, quando a gente sabe que a maioria das residências são pequenas e a capacidade só dá pra fazer captação da água de beber e cozinhar e aí foi se pensando como seria esse outro modelo para que desse conta disso”, relata a mobilizadora social.

Cláudia lembrou que com a chegada das cisternas de placas e cisternas calçadão está sendo possível ampliar as ações de produção de forragem e da fruta nativa com ênfase na produção do umbu que tem capacidade de produção mesmo nos anos de seca. “Acho que a gente só precisa trabalhar bem essas questões, porque as vezes as pessoas não dá tanta importância ao que tem exatamente por isso, porque quando tem o umbu todo mundo tem, e aí a gente começa a colocar: vamos colocar o umbu para a merenda escolar, mas como é que a gente vai estar colocando o umbu exatamente no período em que o menino tem o umbu da porta da frente até a porta da cozinha de casa? É umbu na mesa, é umbuzada no jantar, é umbuzada no café da manhã, mas como é que a gente pode trabalhar no sentido de armazenar o umbu pra servir na época que não tem? Já imaginasse o que é você tomar uma umbuzada no mês de dezembro, quando a gente está morrendo de saudade porque só tomou umbuzada lá pelo mês de junho? Isso prá nós, a gente entende que isso aí é o segredo da coisa, e é possível, o Coletivo já tem uma experiência de armazenamento de umbu onde a gente no ano passado serviu poupa de umbu nos últimos três meses do ano com tranqüilidade”, explica ao falar de desafios e novas perspectivas de mercado, garantindo que o com um grupo de jovens e outro de mulheres trabalhando com beneficiamento da cultura e que atualmente são sete grupos trabalhando o produtos em municípios da região do Coletivo.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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