Programa Leite da Paraíba corre risco de desabastecimento em razão dos baixos preços pagos pelo governo

O Programa Leite da Paraíba tem gerado renda para centenas de pequenos produtores, de diversos municípios do estado, mas está correndo o risco de desabastecimento em razão dos baixos preços ofertados pelo governo federal em parceria com o governo estadual.

Segundo agricultores pecuaristas que fazem parte abastecendo o Programa, desde a sua criação em 2003 nunca foi feito um reajuste. Eles justificam que os produtores fornecedores de leite estão comprando ração mais cara e todos os produtos que estão diretamente ligados a produção têm sofrido constantes aumentos e, somente o preço do leite está há mais de quatro anos sem sofrer qualquer aumento, fazendo com que os produtores procurem vender seus produtos a outros compradores que não ao governo a exemplo de docerias, queijeiras, usinas e programas particulares.

Essa realidade está colocando em risco o Programa Leite da Paraíba que tem sido de fundamental importância não somente para quem produz, mas principalmente para as famílias cadastradas no Programa e que dependem do produto para a alimentação de seus filhos e também os Programas sociais em cada município do Estado da Paraíba.

Stúdio Rural procurou o presidente da Associação dos Produtores de leite do município de Soledade, André Clementino Augusto de Sales(foto), e ele diz que a realidade para os fornecedores de leite ao governo é preocupante, conforme ele explicou aos nossos ouvintes. “É muito difícil manter no programa como as coisas estão sendo hoje, quando começou um litro de gasolina era R$ 1,15 reais a R$ 1,20, hoje está por R$ 2 reais e pouco, um saco de soja era R$ 18,00, hoje está por R$ 52,00, u saco de torta que até o ano passado era R$ 22,00 hoje está por R$ 38,00 e o preço de leite continua os mesmos R$ 70 centavos”, argumenta a liderança ao afirmar que ao pagar os impostos o que fica para o produtor tem sido insuficiente para que ele possa continuar no programa governamental o que tem colocado em cheque a manutenção do Programa Leite no Estado da Paraíba.

O produtor disse que ainda está sendo possível a participação do produtor de escala alta de produção o que faz com que o Programa fuja de sua dinâmica de inclusão social, dizendo que já está na hora de todas as classes envolvidas no benefício do Programa fazerem pressão no governo para que o mesmo assuma o programa que beneficia o segmento que produz e o que consome, especialmente. “Está na hora sim dos produtores, as próprias associações que estão muito distantes uma das outras, onde tem uma associação bem organizada num determinado município aí outra no outro município está desorganizada, não sentou ainda pra se juntaram e formar uma confederação e fazer com que as coisas andam, porque quando um produtor tem qualquer tipo de dificuldade ele sempre procura a associação e quando você vai procurar o governo tem que procurar através das usinas, você não tem esse contato diretamente de governo para associação o que dificulta muito”, argumenta a liderança ao falar sobre a importância da categoria se organizar em torno da questão láctea no Estado da Paraíba.

Ele disse que os produtores entendem que o programa do leite é bom, mas que é necessário que a sociedade discute a viabilidade de preços, caso contrário sofrerá descontinuidade dizendo que pela importância o Programa tem que se tornar lei e programa federal cabendo aos movimentos discutirem de forma solidária e Politizada e levando as instâncias de governo. “Isso pra virar uma lei federal e a gente só consegue isso com luta, de dar banho em Carro de leite, de juntar o pessoal, de ir pra rua, não quem está lá no poder, usineiro não está ligando, está ligando com o lucro dele, mas o produtor que está sentindo na pele e o beneficiário do programa que está e sabe que aquilo ali é essencial pra ele também tem que juntar força e ir pra luta”, politiza a liderança, reafirmando que as partes interessadas só conseguirão resultados positivos mediante luta organizada.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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