Projeto das sementes do Governo Federal desagrada entidades de agricultores

Entrega de sementes para o plantio da safra 2009 no Território do Cariri vem causando descontentamento aos agricultores familiares e entidades ligadas ao segmento já que, na modalidade deste ano, os agricultores terão a função de ir buscar as sementes que estão estocadas na unidade da Embrapa Semi-árido, em Petrolina, Sertão pernambucano.

Na última quinta-feira(08/01) as entidades do Cariri Ocidental estiveram reunidas pela manhã, em evento que aconteceu na Escola Agrotécnica de Sumé e às 14 horas aconteceu com as entidades do Cariri Oriental em Soledade, no Auditório da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Gonzaga Buriti.

Em Sumé, as representações avaliaram as dificuldades em transportar a semente de Petrolina para o Estado da Paraíba em razão da falta de recursos financeiros e, como alternativa trabalharam a hipótese da participação dos governos municipais e até mesmo do governo do estado, porém entendem ser um processo muito complexo já que o mês de janeiro já representa período próximo a estação das chuvas na região. No entendimento das representações presentes ao evento, ratear as despesas entre os governos locais torna a missão quase impossível e citaram como exemplo a compra das moto-enciladeiras em que a contrapartida dos municípios era de R$ 700,00 reais e constatou-se excessivo atraso no pagamento por parte de cada executivo fazendo com que até Sindicatos de Trabalhadores Rurais pagassem contrapartidas para não perder os benefícios do projeto. Ao final as lideranças tiraram uma comissão responsável em planejar a melhor forma de viabilizar o projeto que beneficiará milhares de agricultores na região caririzeira Ocidental.

Na parte da tarde, na reunião do Cariri Oriental, as entidades entenderam que da forma proposta pelo governo brasileiro, em ter que ir em busca das sementes na cidade de Petrolina-PE, o projeto é inviável e incompleto fazendo com que aquelas representações entendessem ser impossível aceitar a proposta e, desta forma, decidiram discutir o pleito com a Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário no Estado da Paraíba.

“Gostaria de dizer que nós estamos organizados para receber as sementes dentro do nosso Estado, você vê que fica totalmente inviável nós sairmos daqui pra ir buscar essa semente em Petrolina, não é uma responsabilidade nossa aqui do Território ou das entidades e prefeituras já que isso é um programa do governo federal, então é totalmente responsabilidade do governo federal essas sementes dentro de nosso Estado para que nós possamos, aí sim, os municípios se locomoverem a um ponto estratégico onde foi entregue dentro do estado e ir buscar a semente para a entrega aos nossos agricultores”, argumenta o vive-presidente da ETAG-PB e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros.

O agricultor familiar Inácio Tota Marinho, componente do Fórum, em contato com Stúdio Rural, disse que da forma apresentada por parte do governo federal, as sementes chegarão fora de tempo de plantio e argumentou ser importante fortalecer os bancos de sementes comunitários que proporcionam ter a semente na hora do plantio com a qualidade que as famílias de agricultores já conhecem ao longo do processo. “O agricultor já está tão encurralado com a realidade que se encontra, porque ou tem uma estratégia de governo para entregar as sementes diretamente as comunidades nos municípios ou então não vai ter condições, os agricultores estão muito sofridos e quando é hora de ser compensado não tem compensação, então não vale o agricultor plantar mais se a semente chegar fora de hora e é por isso que eu defendo os bancos comunitários de sementes que eu quero ver se quando chove se a comunidade não tem a semente de plantar”.

Já o vice-prefeito e secretário de agricultura da cidade de Soledade, José Bento, falou da frustração das entidades ao serem informadas de ter que ir buscar a semente no Alto Sertão pernambucano já que a maioria das prefeituras não tem desempenhado o papel de discutir e executar programas de governos quando relacionado a contrapartida nas parcerias. “Pois é, essa é uma discussão que vem de longas datas e a gente se depara com uma novidade desagradável, a gente reclamou tanto no passado que não tinha sementes, que a semente só chegava atrasada e há dois anos a gente conseguiu junto ao governo federal esse programa de semente, no primeiro ano foi entregue basicamente á nível de cada município, no segundo ano já foi entregue em nível mais localizado na região e agora com essa novidade de ter que sair daqui pra ir pegar lá em Petrolina numa dificuldade tremenda, então a gente voltou pra estaca zero do ponto de vista da compreensão de que o governo quer realmente ajudar o nosso segmento produtivo”, argumenta Bento dizendo não querer efetivamente culpar o governo federal, mas disse ter faltado uma articulação neste sentido e se fosse para proceder desta forma que tivesse iniciado as conversações no mês de novembro último.

O representante da Embrapa Campina Grande, Heleno Alves de Freitas, disse compreender as reivindicações da sociedade cível e de governos locais, e informou ser mais prático o governo elaborar projetos de produção de sementes com entrega diretamente nos estados e garante que se o contrato de produção determinar de forma prévia, a semente poderá ser entregue sempre no local previamente contratado. “Nós poderíamos também resolver esse problema, se o governo se interessar, no ano que vem, nós poderemos produzir a semente e entregar no município de origem onde essa semente vai ser usada, isso não é problema pra nós da Embrapa, o problema é que o convênio que foi feito pra nós produzir essa semente e estocar em Petrolina e de Petrolina o governo dava o destino para os municípios”, esclarece o representante da Embrapa, empresa responsável pela produção do volume de sementes que em breve será anunciado pelas representações governamentais.

Ao dialogar com Stúdio Rural o coordenador do Território do Cariri Oriental, Carlos José Duarte Pereira, disse que entrará em contato com a representação do MDA na Paraíba, para discutir os pleitos das entidades do Território que entende ser papel do governo federal entregar o produto nas bases estaduais.”Acho que foi positivo, superou as expectativas, estamos felizes pela discussão que houve, os agricultores e entidades que estiveram aqui presentes fizeram com que chegasse a um determinado ponto e nós estamos saindo aqui com a comissão formada para a distribuição de sementes desse ano do governo federal e estaremos também encaminhando ao MDA, vamos primeiramente ao delegado Marenilson para discutir sobre o transporte da semente á nossa região aqui do Cariri Oriental”, esclarece o articulador daquela regional territorial.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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