Saúde do solo, técnicas de análise e autonomia da agricultura é tema de oficina para agricultores da Borborema

Mais de 40 agricultores e agricultoras dos municípios que compõem o Pólo da Borborema participaram da Oficina “Saúde do Solo”, realizada entre os dias 04 e 06 de outubro, no Centro de Eventos Maristas, em Lagoa Seca-PB e que teve como facilitador o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sebastião Pinheiro.

O evento foi promovido pela AS-PTA e entidades do Pólo da Borborema, através do Projeto Terra Forte, co-financiado pela União Européia (UE) e faz parte do conjunto de atividades preparatórias para a Semana Mundial da Alimentação (16 a 22 de outubro) desencadeadas nos municípios da Borborema.

“Sebastião, quando ele vem pra cá, realmente a gente enxerga melhor a nossa própria experiência porque ele tem um conhecimento muito grande sobre tudo que está acontecendo no mundo dessa invasão do agronegócio e isso faz com que a gente possa sempre está repensando aquilo que a gente está fazendo no campo com as organizações dos agricultores e acho que esse encontro sobre solos veio casar muito bem com os debates de tantos projetos que estão aparecendo das políticas públicas que o Nordeste não tinha acesso e agora tem, pra que a gente possa olhar com cuidado pra que isso não seja uma invasão pra destruir nossa própria terra. A gente conhecer toda a potência que a terra tem porque todo alimento nasce dela, é a gente saber também pôr os pés no chão naquilo que a gente vai decidir com os agricultores”, explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio, Euzébio Cavalcante Albuquerque.

“Nós estamos agora com os agricultores do Pólo Sindical trazendo uma coisa que prá nós no Brasil é uma novidade, no entanto, na União Européia é uma política pública comunitária há mais de vinte anos. Nós estamos preocupados hoje com a saúde do solo, eu sou agrônomo e os agrônomos aprendem na faculdade que o solo é o suporte inerte das raízes, essa é a definição oficial em todos os livros brasileiros e mundiais até recentemente. No entanto a União Européia a partir dos anos 90 começa a dizer que o solo é um ecossistema vivo. Quer que quer dizer isso? É um ecossistema vivo e complexo onde predomina ar, água e seres vivos, onde há um intercâmbio de energia extremamente difícil ainda não suficiente definido e conhecido, então o solo passou a ter vida. Nós não podemos deixar de fazer uma leitura sobre isso que é a seguinte leitura: se o solo tem vida, ele sempre teve vida. Por que é que nós esquecemos a saúde do solo nos últimos 250 anos de agricultura industrial química? Porque a química não precisa de vida, a química se expressa sem a vida, só que agora, nesse momento, o mundo já não pode mais falar em química, a química está superada, todas as fábricas de agrotóxicos foram transferidas para a China Vermelha, para a Índia, para o Brasil, para o México, para a Argentina. Não existe fábricas de agrotóxicos na Europa, as fábricas da Europa que faziam agrotóxicos hoje se preocupam em fazer seres vivos, micróbios, enzimas e esses seres vivos são comercializados, patenteados, transformados geneticamente para trazer lucros, se eles vão trazer lucros, as empresas querem vender e aí você vai ver que uma Bayer, uma Singenta Suíça se preocupam em vender micróbios, e o mais interessante é que 01 grama de micróbios custa semelhante a 100 litros de veneno químico, ou seja, cem vezes mais rentável ou mais lucrativo, então nós temos que nos antecipar e dizer: entre o micróbio europeu desconhecido de uma transnacional que eu preciso comprar na mesma loja onde eu comprava DDT e se o micróbio que estava no meu solo que minha avó cultivava na sua coalhada e que eu tinha ela no meu ambiente, qual é a melhor? A resposta é obvia. Ao ser obvia, eu não posso comprar, eu tenho que desenvolver essa microbiologia”, explica Sebastião Pinheiro ao ilustrar os conteúdos e conhecimentos que foram repassados para as famílias e lideranças agricultoras que estiveram presentes na oficina e que aprenderam a fazer análise e ao mesmo tempo promover ampla melhoria na qualidade do solo com ampla autonomia na forma de fazer a agricultura sem dependência dos mercados.

Aquele educador disse que os venenos e produtos químicos manipulados são uma necessidade de mercado e não uma realidade da agricultura e garante que com conhecimento transformado na forma de fazer a agricultura é que as organizações e famílias passarão a ser suficientemente produtiva e não terão vínculos dependentes com os mercados que têm escravizado agricultores aos milhões. “É isso que acontece e a nossa preocupação aqui é fazer com que esse agricultor aprenda aqui a ler, a ver, a fotografar a saúde de seu solo, interpretar essa saúde e de posse dessa saúde ele possa alterar o estado de saúde desse solo, ou seja, melhorar a higidez desse solo e style=mso-spacerun: yes>  fazer com que esse solo fique dia a dia mais saudável. Se ele fizer isso, ele pode controlar através de uma simples análise, ele mesmo na sua casa gastando pouco mais que 10 centavos de real”, explica mostrando que com pouco as famílias podem fazer muito no processo produtivo do solo com autonomia, conhecimento e independência.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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