Seca, endividamento e quebra na produção é discutido em seção e evidenciado no Programa Domingo Rural

A seca e suas conseqüências no sistema de produção no campo associado ao processo de endividamento dos produtores rurais paraibanos, dentre outros foi tema discutido numa seção especial da Assembléia Legislativa que aconteceu na tarde da última terça-feira(08/05) e evidenciado no Programa Domingo Rural deste domingo(13/05) que entrevistou o propositor da seção, deputado Francisco de Assis Quintans; o produtor rural José Dimas de Oliveira, residente no município de Santo André, Cariri Oriental; presidente do Sindileite, Pedro Matias; secretário do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca, Marenilson Batista da Silva e o diretor da Central Única dos Trabalhadores(CUT-PB) e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros Barreto. Eles falam sobre a importância da seção que pôde identificar importantes entraves no crescimento da economia na região em razão da falta de políticas públicas sustentáveis dos governos para o processo de convivência com o semiárido paraibano.

Pedro Martins disse esperar que as discussões e propostas trabalhadas sejam levadas a sério e colocadas na prática para que durante e depois da seca seja trabalhado ações que possam gerar resultados sustentáveis para o fortalecimento da agropecuária paraibana. “É como foi colocado com muita propriedade pelo deputado Assis Quintans, precisamos criar ações não é no momento de desespero, mas ações estruturantes para que quando acontecer outras secas já tenhamos anteriormente construído cisternas, açudes e por aí em diante, então precisamos que as ações sejam tratadas não só no critério emergencial, mas no critério estruturante”, explica aquela liderança ao dialogar com os ouvintes Domingo Rural.

Ao dialogar com Stúdio Rural e ouvintes das emissoras parceiras, o deputado Francisco de Assis Quintans explicou que a seção foi uma iniciativa conjunta da Assembléia no sentido de encontrar alternativas para o desenvolvimento do meio rural e especialmente mostrar ao governo federal que tem que ter uma política de crédito rural como é feito em outras regiões do mundo, exemplificando a Austrália que, segundo ele, tem projeto de desenvolvimento muito diferenciado da realidade do governo brasileiro onde as políticas de crédito têm gerado empreendedores que se encontram ilhados em débitos impagáveis em instituições credoras como Banco do Nordeste, sem que possam fazer parte de outros planos creditícios já que não conseguem preencher os requisitos cobrados por essas instituições. “Eu não tenho nenhuma vaidade, agora eu tenho autoridade pra falar desse assunto porque eu convivo com secas cruéis neste Nordeste desde 1958, assim eu tenho, modéstia à parte, experiência para tratar desse assunto, agora o que eu lamento é que algumas decisões que são tomadas para o semiárido nordestino, para esse bolsão seco, saiam de pessoas que não têm conhecimento do que é semiárido, que não sabem sobre o sofrimento do homem do campo, vivem no ar condicionado, nem geograficamente eles sabem onde fica a região Nordeste, principalmente a área do governo federal que é insensível por uma solução definitiva”, explica Quintans ao dialogar com nossos ouvintes.

Marenilson Batista disse que o governo paraibano vem tomando medidas para solucionar problemas a partir de ações como Garantia Safra com mais de 86 mil famílias participantes, discussão sobre a questão da alimentação animal com silagem e forragem com distribuição de milheto e sorgo, colocação de técnicos para discutir pronaf, trabalhar ações com barragens subterrâneas bem como as tecnologias da Emapa que ficam a disposição dos produtores e garante que a extensão será melhorada já que reconhece que a empresa encontra-se desfalcada, o que tem contribuído para a lentidão das soluções a serem tomadas em favor do homem do campo. “A extensão rural pela quantidade de pessoas ainda nós somos muito poucos em relação a necessidade da Paraíba, mas nós precisamos avançar em qualidade e em quantidade”, explica Batista da Silva dizendo que o governo está fazendo esforço para ampliar ações que possam dar contribuições para o desenvolvimento.

José Dimas de Oliveira, em seu discurso na tribuna da casa, trabalhou verdadeiro panorama da realidade em que vivem os pecuaristas de todo o estado com a função de gerar alimento para as famílias e os mercados locais e estadual e garante que a categoria vive verdadeiro abandono e práticas de verdadeira exploração desonesta por parte das políticas de estado já que as políticas desenvolvidas pelo estado tem gerado profunda pobreza no meio rural produtivo do Estado da Paraíba. “Eu hoje mesmo estou sendo executado porque não estou conseguindo pagar dívidas que vem de vários anos de secas como enfrentamos na época da década de 1990 até o início do ano de 2000 que foram anos de seca que acabaram nossos rebanhos, fiz empréstimos de custeio para manter o rebanho e em seguida tive que vender parte do meu rebanho que hoje é muito pouco e então não tem como, e o Banco do Nordeste se baseia ou se ampara numa lei federal e está apenas cumprindo a lei, só que eu estou pagando por um preço que eu não posso”, dialoga o produtor ao contatar com nossa equipe e nossos ouvintes.

Ao dialogar com nossa equipe, o diretor da CUT e representante dos sindicatos de trabalhadores rurais, Paulo Medeiros Barreto, Paulo do Sindicato, disse que os problemas são grandes, as soluções são poucas e a vontade políticas do governo é menos ainda. “A gente está vendo aí a discussão, mas é lamentável quando a gente vê falar no problema da convivência com a seca no período em que a gente está sendo atacado por ela, veja a seca aí aterrorizando todo mundo, então a gente lamenta muito porque políticas públicas que deveriam ser feito antes não foram feitas, vem se falar agora já quando você não tem mais como fazer o preventivo então estamos a fazer o paliativo e isso é muito ruim pra gente e a gente sai muito triste cada vez mais das discussões porque a gente discute mas já depois que estamos afetados diretamente com a seca”, critica Medeiros Barreto.

Ele criticou o governo do estado da Paraíba por entender que a extensão teria importante papel a exercer se não fosse o processo de sucateamento que a empresa está passando com fechamento de escritórios, poucos profissionais na extensão rural que não têm estruturas para transferir os conhecimentos e tecnologias desenvolvidos pelas entidades de pesquisa. “A questão da assistência técnica é complicada falar porque nós não temos assistência técnica na Paraíba, nós temos um paliativo, dou exemplo de nosso município lá que hoje tem o técnico da Emater, única pessoa que não tem estrutura mínima pra trabalhar, ele está atendendo no sindicato porque nem o escritório ele não tem, está no meio da rua porque foi despejado e é difícil trabalhar desta forma, a extensão não está dando sua contribuição e não vai dar tão sedo porque não tem estrutura pra isso e o governo não está preocupado em atender aos produtores com uma boa assistência técnica e eu sempre digo que se não tiver uma boa assistência técnica não tem como o trabalhador desenvolver suas atividades porque tudo depende da assistência técnica, se você vai fazer um projeto, se você vai vender uma produção tem que passar pela assistência técnica”, explica e lamenta aquela liderança.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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