Seca provoca reunião na capital e quebra na produção agrícola e pecuária no meio rural paraibano
A chegada da seca e a quebra da produção agrícola e na pecuária paraibana são sintomas já sentidos em todo o interior do Estado da Paraíba, o que provocou uma reunião extraordinária entre as entidades da agricultura familiar paraibana com representações da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário, superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA-PB) e órgãos do governo paraibano.
O evento aconteceu na última quinta-feira(19/04) na sede do Incra, na capital paraibana, e teve como pauta questões relacionadas ao abastecimento emergencial de água com carro pipa nas comunidades e projetos de assentamento mais atingidos; doação de cestas básicas às comunidades que tiveram plantações prejudicadas pela estiagem; intermediação junto ao MDA da liberação de parcela do Programa Garantia Safra referente à safra 2011 dentre outras ações.
Nós acreditamos que a reunião nos contempla, nós fizemos aí as propostas pra melhorar as condições de vida das pessoas que vivem no campo, esperamos que através do governo federal, do estado e dos municípios se tenha uma solução em relação ao amenizar a questão da seca para o agricultor familiar, explica o presidente da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Estado da Paraíba(Fetraf), Ednaldo Leite Pereira, em dialogo com Stúdio Rural e ao reivindicar ações práticas por parte dos governos. Os primeiros passos seria uma ação prática em atuar em duas linhas, primeiro fazer uma grande distribuição de alimentos com água e posteriormente trabalhar outra questão que é o processo de convivência com a seca através da infraestrutura, sugere aquela liderança.
Já para o assessor técnico da AS-PTA, José Camelo, a entidade inseriu no debate a importância de se identificar o que é necessário enquanto política emergencial diante da seca que se apresenta e ao mesmo tempo que se vislumbre os trabalhos exitosos que vêm sendo desenvolvidos pelas entidades de agricultores e agricultoras que fazem parte da ASA Paraíba e Pólo da Borborema que, mesmo diante da seca, encontram alternativas que evitam perdas e prejuízos no rebanho dentre outros. O recado que nós trouxemos pra cá foi muito mais uma reflexão sobre como nós podemos está tratando a seca, hoje nós não estamos mais vendo a seca como víamos a dez ou vinte anos atrás porque, as ações que a própria Articulação do Semiárido foi desenvolvendo e essas ações foram se transformando em políticas públicas, hoje nós temos uma realidade diferente no semiárido da Paraíba assim como temos uma realidade diferente em todo o semiárido brasileiro, explica Camelo em entrevista ao Stúdio Rural afirmando que na atualidade já se contabiliza inúmeras propriedades familiares que contam com uma estrutura com estoque de água e alimento tanto para o ser humano quanto para os animais.
Alexandre Eduardo é secretário executivo da Secretaria de Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca e, ao dialogar com Stúdio Rural, disse que o governo estadual está envolvido e determinado em contribuir com as soluções dos problemas ocasionados pela seca neste ano de 2012, comentando que o governador teve reunião com seus auxiliares para planejar um amplo encontro a acontecer com os prefeitos no próximo dia 26, no Espaço Cultural, em João Pessoa. style=mso-spacerun: yes> Não é a toa que eu estou hoje aqui nessa reunião enquanto secretário do governador Ricardo Coutinho para estar fazendo essa ligação de informações que ligue diretamente o governador e aí, junto com os poderes executivos dos municípios, estarmos trilhando nas melhores soluções possíveis para o enfrentamento desse problema.
A delegada federal do desenvolvimento agrário, Giucélia Araújo Figueiredo, participou do encontro e dialogou com Stúdio Rural informando que o Governo Federal vem fazendo um trabalho sustentável via territórios rurais e da cidadania e que neste momento intensificará as ações para evitar maiores problemas no meio rural com o processo de geração de trabalho, renda e o processo de abastecimento de programas importantes que dependem de incentivos para a produção. Nós entendemos que estamos passando por momentos preocupantes e que é necessário uma reação por parte dos governos nos diversos níveis União, os estadual e os municípios para que possamos construir políticas para o enfrentamento dessa estiagem que está apresentada em nosso estado e, logicamente, amenizar os efeitos da seca junto aos trabalhadores assentados, acampados e os agricultores familiares como um todo, explica aquela representante do governo federal justificando que estará nesta segunda-feira(23/04) participando com o ministro do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, num grande encontro de delegados e delegadas federais do desenvolvimento agrário.
Para o representante da CUT, Central Única dos Trabalhadores e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, Paulo Medeiros Barreto, o encontro foi por demais importante já que constrói uma visão crítica do momento que o Estado da Paraíba está passando já que ficou mais claro a necessidade urgente de se orquestrar ações reais para o fortalecimento da agricultura e pecuária numa perspectiva de curtíssimo e médio prazos já que a agricultura amarga perdas e a pecuária inicia seus negativos impactos por falta de ração para alimentação do rebanho em conseqüência da seca e, em muitos casos, do ataque da praga da Cochonilha do Carmim. Foi um encontro muito bom onde foi discutido algumas estratégias pautadas em ações dos movimentos sociais para esse embate em convivência com a seca e a gente está aqui na discussão enfrentando esses problemas que vão se agravando a cada dia que passa com a estiagem, mas eu tenho certeza que com esse nível de discussão é que vamos chegar a um projeto viável de conviver com essa seca que está aí ameaçando todos os agricultores, explica Barreto.
Lenildo Dias Morais é superintendente do Incra-PB, participou do encontro que aconteceu naquela autarquia e dialogou com Stúdio Rural explicando que a semana foi muito diversificada naquela instituição já que durante a semana aquela instituição está ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra representado por assentados e acampados da reforma que apresentam ampla pauta de reivindicações à serem trabalhadas pelo Governo Federal e ao mesmo tempo a agenda que segmentos diversos da agricultura familiar colacam em discussão preocupados com a seca que assola as diversas microrregiões do estado. Ele garantiu que diversas agendas estão sendo organizadas com Brasília no sentido de dar respostas positivas as questões agrárias no Estado da Paraíba além de dialogar com as diversas forças políticas na Paraíba para o processo de enfrentamento da seca e políticas de convivência no semiárido. Essa semana a pauta que o INCRA cumpriu está muito diversificada, hoje nós temos uma ocupação que está sendo feita pelo MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, tivemos hoje também uma reunião com os trabalhadores acampados da Comissão Pastoral da Terra e hoje também tivemos uma reunião do Fórum dos movimentos sociais que discutem a questão da convivência com a seca, então o Incra está sendo a caixa de ressonância dos movimentos sociais e isso é importante porque no governo popular como é o da presidenta Dilma e como foi do presidente Lula nada mais justo que o Incra, um órgão federal como esse, pudesse receber os trabalhadores, sobretudo aqueles que estão excluídos do processo de inclusão no campo, a maioria dos que estão ocupando o Incra são trabalhadores acampados que querem do Governo Federal terra e nós também queremos, explica Lenildo ao dialogar com nossa equipe durante ampla entrevista e diversificado detalhe da dinâmica e complexidade que é fazer a reforma agrária além de falar sobre as medidas que serão tomadas para trabalhar políticas em parceria diante da seca que se apresenta no estado.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural




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