Abril chegou e o algodão continua seu cultivo 2021 em estados do semiárido brasileiro

O cultivo do algodão orgânico 2021 nos sistemas agroalimentares vem enfrentando grandes entraves para continuar sua trajetória de três anos de plantio por dentro do semiárido brasileiro.

Neste primeiro de abril, Stúdio Rural fez uma turnê por comunidades do Estado de Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco numa trajetória em que as famílias contam sobre seus entraves para a continuidade do cultivo da cultura que sofreu parada brusca nos anos 1980 e sua retomada no ano de 2019, desta vez sem a utilização dos produtos venenos contra insetos pragas.

Fatores como a permanência da pandemia do Covid-19, pouca ou mesmo ausência de chuvas e a não oferta da remuneração por parte das empresas compradoras do algodão já se apresentam como limitantes para a ampliação das áreas cultivadas nesta safra agrícola.

No Sertão paraibano, região de Princesa Isabel, as famílias não plantaram o algodão em razão da falta de chuvas e da não oferta de preços satisfatórios para cobrir os custos e oferecer lucros as famílias plantadoras desde 2019 e 2020, em outras regiões as famílias plantaram nas chuvas de fevereiro que não perduraram e comprometeram as plantações por solos secos, e já em outras regiões os solos estão prontos esperando a chegada do líquido precioso.

Pernambuco:

“Aqui nós já plantamos e estamos com as culturas bem bonitas, vou lhe mandar umas fotos”, relata a agricultora Nadja Maria, da comunidade Escadinha, zona rural de Serra Talhada.

“Aqui a gente já plantou, temos umas plantas já grandinhas, tenho uma área de algodão que plantei agora e já está boa, a chuva é que está meio pouca, mas ontem deu uma chuvinha de 18 milímetros e está melhorando”, explica o agricultor Bartolomeu Benigno dos Santos, Sítio Cacimbinha de Sertânia.

“Aqui já plantamos, aqui na nossa região tivemos uma média de 300 a 400 milímetros de chuva, iniciamos o plantio bem tardio por conta das chuvas que foram tarde, mas o plantio do algodão está bem nascido, está bem bonito mesmo”, relata a agricultora Lucineide Cordeiro Marinho, do sítio Laje do Gato, em Afogados da Ingazeira.

“Aqui choveu no mês de fevereiro onde a gente teve uma chuva boa, a barragem que corta aqui o sítio encheu, alguns barreiros pegaram água que dar para uns dois ou três meses, e de lá pra cá só seca, quase todo mundo já plantou nas terras preparadas no mês de janeiro, quem não tinha preparado ainda preparou e como o molhado estava bom já plantou também, mas boa parte da plantação já está toda perdida”, justifica a agricultora Adeilma dos Santos Silva, município de Ouricuri.

“Aqui está um dilema, os municípios que ficam mais no pé da Chapada do Araripe já plantaram e alguns até já colheram feijão com expectativa de uma safra até razoável, mas os municípios que vão ficando mais distantes do pé da Chapada do Araripe, muitos ainda nem plantaram e os que plantaram o legume está bem fraquinho por falta das chuvas que estão muito irregulares aqui na região do Araripe”, explica o componente da ONG Caatinga, na região de Ouricuri, Allexandre Emerson Silva Holanda.

“Aqui o inverno continua desregulado mesmo, em sete de fevereiro eu falava em entrevista que a gente estava sem plantar e que março é esperança para chuva e para plantar, plantamos em 14 de fevereiro e até hoje tem sido desregulado. Aqui no Araripe os municípios beirando a serra do Araripe está sempre melhor, mas pegando uma parte de Ouricuri, Santa cruz que já fica mais longe do pé de serra, Parnamirim está com mais de 40 dias que não choveu mais”, explica o agricultor Francisco Barbosa Rodrigues de Lima, Nego, sítio Tigre de Exu.

“Aqui já iniciamos, 70% com os agricultores já realizaram os plantios, a janela do plantio da gente aqui é do mês de janeiro a fevereiro, e veio chover em março, choveu umas chuvas no mês de fevereiro onde alguns agricultores realizaram os plantios, mas a maioria realizou o plantio agora no mês de março que passou. Aqui no Sertão do Pajeú, por falta de chuvas em todo o Sertão, a gente realizou o plantio um pouco atrasado, mas, graças a Deus, está chovendo em algumas regiões do Sertão do Pajeú”, relata o presidente da Associação Agroecológica do Sertão do Pajeú e morador de Serra Talhada, agricultor Claudevan José dos Santos.

Rio Grande do Norte:

“O ano agrícola aqui no Apodi agora começou dar umas chuvas, está bem chovido aqui na minha região, no meu território, já fiz minha plantação, já estou no período de limpa, fiz replantio, meus companheiros estão na mesma situação, tem alguns que já plantaram, outros ainda não plantou já que as chuvas de uma atrasada aqui na região. Aqui choveu em algumas regiões mais cedo e outras não, e eu plantei nas primeiras chuvas e o protocolo pede que plantemos nas primeiras chuvas”, justifica Francisco de Assis Lima, Sítio Cajazeiras de Umarizal.

Sergipe:

“Aqui a gente está esperando a chuva que está chegando devagarzinho, de ontem pra cá já começou a chover, mas ainda não molhou o solo pra assim que chover de verdade a gente começar esse processo de solo pra plantar nosso algodão”, diz a agricultora Iva Santos, de Canindé São Francisco.

Alagoas:

“Aqui em Alagoas a gente está, neste final de março início de abril, aguardando as chuvas nesse estágio do momento em nossa quadra climática em que pode começar final de março ao meado de abril, então estamos aguardando as chuvas iniciarem e, em seguida, logo nas primeiras chuvas a gente já corta a terra e faz o plantio”, explica a agricultora e mobilizadora social, Ana Cristina Accioly, no município de Piranhas, alto Sertão de Alagoas.

“Aqui a gente ainda está na faze de preparo das áreas com escolha e preparo das áreas para o plantio e as chuvas já estão se aproximando, já começou, então estamos na expectativa de agora até o dia 15 de abril estar iniciando o plantio do algodão”, relata Silvano Pereira da Graça, do sítio Quixabeira, município alagoano de Água Branca.

Paraíba:

O inverno aqui no Sertão está meio fraco esse ano, as chuvas poucas, ontem foi que deu uma chuvadinha até boa, algodão esse ano ninguém plantou já por conta das chuvas poucas e também a empresa também não aumentou o preço e então a gente nem plantou, decidi não plantar e demais compartilharam comigo e não plantou ninguém”, diz Salustriano de Oliveira Leite, Salu, de Água Branca, na região de Princesa Isabel.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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