Encontro de Escola Camponesa da Memória é tema em programas rurais

Um encontro realizado pelo MPA, Movimento dos Pequenos Agricultores reunindo jovens de diversos estados brasileiros que está acontecendo no município de Lagoa Seca foi tema em evidência no Programa Esperança no Campo e Programa Domingo Rural de nossas emissoras parceiras, no último sábado(28) e domingo(29).

Trata-se do encontro da II Escola Camponesa da Memória que, depois de sua primeira edição no ano 2014, em Brasília, agora acontece como segunda edição em Lagoa Seca, no Agreste paraibano de 28 de março ao dia 1º de abril, conta com palestras de nomes nacionais a exemplo do professor aposentado da UFCG, economista José Heleno Rotta, advogado militante de esquerda Carlos Augusto Marighella, advogado, jornalista e sociólogo, Clodomir Santos de Morais dentre outros.

“Eu acho que essa juventude está fazendo a coisa mais importante que tem que ser feita neste país que é debater os problemas, estudar, se informar, estabelecer estratégias que é pra ter participação madura nesse processo e não ser manipulado pela imprensa, pelos meios de comunicação”, explica o professor da UFCG, José Heleno ao dialogar com o público ouvinte do Programa Domingo Rural e Programa Esperança no Campo, garantindo que no encontro falou, enquanto professor de economia, sobre temas relacionados ao processo histórico da classe trabalhadora, trazendo experiências acumuladas deste processo e compartilhando com os cerca de 80 participantes.
Para os organizadores do evento, a reconstrução da memória restitui da dignidade das vítimas e projeta a esperança dos sujeitos na consolidação do projeto democrático nacional, explicando que após décadas de educação neoliberal a juventude foi entregue ao que classificam como ‘projeto Jovem Mercadoria’: seja como Força de Trabalho barata ou como mediador da mercadoria dinheiro e a mercadoria produto(consumidor), estancando suas energias manifesta em projetos coletivos e utópicos, facilitando sua captura pela indústria cultural, drogas, competição e resignação histórica.
Marcelo Leal Teles da Silva é componente do MPA do Rio Grade do Sul, participante do evento conversa com a equipe Stúdio Rural explicando que a primeira Escola Camponesa da memória acontecida em Brasília, em 2014, trabalhou a realidade dos camponeses e a ditadura militar, buscando o reconhecimento do estado brasileiro diante dos mais de 1196 mortos e ou desaparecidos no período da ditadura já que o estado brasileiro só reconhece 29. “Já esse ano o tema é a Ditadura Militar e as Ligas Camponesas. Como a Paraíba e Pernambuco foram principal palco da luta das Ligas Camponesas, nós viemos pra cá para oportunizar também ao pessoal fazer um intercâmbio, conhecer os espaços dos memoriais das Ligas Camponesas, Alagoa Grande onde foi a morte da grande companheira Margarida Alves e também uma conversa com Elizabete Teixeira”, explica detalhando o conjunto das atividades acontecidas e a acontecerem durante os cinco dias no território paraibano”.
Neste contexto, explica a assessoria do movimento, o coletivo de formação e juventude do Movimento dos Pequenos Agricultores(MPA) vem desenvolvendo um conjunto de ações formativas e culturais em vistas da construção de identidade coletiva da juventude camponesa numa perspectiva histórica de reconhecimento das lutas sociais camponesas como elementos fundantes da construção democrática do Brasil e da conquista de direitos sociais.
Aquela assessoria explica que, entre as ações que o MPA vem desenvolvendo, a Escola Camponesa da Memória foi definida como um dos principais instrumentos formativos da juventude camponesa por propiciar encontro da juventude das diversas regiões brasileiras em período historicamente simbólico, sempre entre os dias 29 de março a 2 de abril, período que marca o golpe militar de 64; bem como por produzir espaço teoricamente elevado e culturalmente denso com participação de professores universitários, militantes sociais e representantes do Estado brasileiro com o objetivo de socializar elementos da formação sociohistórica e cultural do povo brasileiro, as lutas sociais e a participação dos camponeses onde a Escola Camponesa da Memória cumpre importante papel na consolidação da cultura democrática e socialista em meio a juventude camponesa.
Entrevistado por Stúdio Rural, o cearense Enisson Rocha Santos disse que a Escola Camponesa é muito interessante por retratar a história contada por agentes que fizeram parte do processo histórico de luta pela reforma agrária e das políticas em geral. “Muitas das coisas que aqui foram mostradas eu não tinha claro porque os meios de comunicação não mostram isso, a gente vem trabalhando uma dinâmica expositiva de coisas que a grande mídia não mostra”, relata dizendo que o processo de organização continua e que tudo depende do estudo acerca da realidade da política brasileira e da relação do capital e trabalho. “Pra mim essa é uma realização muito boa, muito interessante onde o MPA, Movimento dos Pequenos Agricultores traz esse trabalho muito interessante que é resgatar a nossa história, a história viva, nós vamos ver e ouvir várias pessoas que viveram dentro do golpe da ditadura militar, então isso é viver a história real e pra mim é muito gratificante estar participando desse espaço, onde eu como militante do movimento que sou filho de camponeses, filho de agricultores e, nestes dias está sendo muito interessante a gente reviver a história viva que passamos a viver daqui pra frente”.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos marcados como (obrigatório) devem ser preenchidos.

Newsletter

Através da nossa newsletter você ficar informado, o informativo do estudo rural já conta com mais de 20 mil inscritos, faça parte você também.

Back to Top