Marcha é sucesso de público e tema sobre papel da mulher da agricultura agroecológica e familiar

Um verdadeiro sucesso a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia que em sua sexta edição aconteceu em Lagoa Seca no último dia 12 e foi tema em evidência no Programa Domingo Rural e Esperança no Campo via emissoras parceiras.

Stúdio Rural entrevistou lideranças diversas participantes do evento que contou com um público amplo que lotou as ruas da cidade de Lagoa Seca durante passeata acontecida na parte da manhã daquela quinta-feira(12).
Em entrevista a nossa equipe, a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas e componente do Polo da Borborema, Angineide Pereira de Macedo Valentim(foto) disse ter sido mais uma grande vitória com inúmeros obstáculos vencidos pelas entidades vinculadas ao Polo Sindical da Borborema, integrante da ASA Paraíba. “Eu digo que é mais uma vitória de muitos obstáculos vencidos em nosso caminho, quando a gente chega ao final da marcha a gente percebe a grandeza que tem esse movimento, a grandeza que tem esse momento para as mulheres e aí a participação das mulheres de Queimadas teria que ser esse sucesso já que superamos todos os obstáculos, dificuldades com transporte, mas conseguimos nos articular. Não trouxemos a quantidade de ônibus que planejamos, então trouxemos nosso público meio que entulhado com ônibus um tanto cheio, mas aqui chegamos, mesmo assim trouxemos seis ônibus e acho que foi uma grande vitória”, explica aquela liderança repudiando a atitude da prefeitura de Queimadas que somente em cima da hora de saída é que informou que não contribuiria com o movimento conforme prometido, o que fez com que aquele sindicato duplicasse suas ações e garantisse a participação do público conforme o planejado pela entidade sindical. Ela disse que o movimento se sentiu afrontado pelo executivo municipal. “Eu entendo desse jeito, porque é assim: se a gente não tivesse se comunicado, mas antes de uma semana a gente já tinha se comunicado com palavra, então com uma semana antes a gente levou e protocolou ofício, então a gente precisava de uma decisão em pelo menos umas 48 horas e considero que a falta de consideração foi muito grande”.
Ativista na Marcha desde a sua fundação, o deputado Frei Anastácio(PT), participou do evento e do Programa Domingo Rural e Esperança no Campo dizendo ter sido um evento de êxitos, revelando o potencial que têm as entidades da agricultura familiar do Polo da Borborema em sintonia com as famílias agricultoras. “O movimento de mulheres da Paraíba está de parabéns, e essa marcha que é a sexta marcha pela vida das mulheres e da agroecologia me surpreendeu no número de mulheres e a gente percebe que cresce a cada ano, entrando também as mães de famílias e também os pais de família o que é muito importante e revela futuro, desta forma a avaliação que faço é a mais positiva possível no sentido de que esse trabalho que começou tão miudinho está só crescendo e vai crescer, e a gente percebe que há entusiasmo, há gosto, o sangue corre nas veias de todas aquelas e aqueles que estão a participar”, explica aquele parlamentar fazendo verdadeira retrospectiva da marcha que começou na cidade de Remígio e avançou pelas cidades de Queimadas, Esperança, Solânea, Massaranduba até chegar ao território de Lagoa Seca. Ele garante que essa ação política mostra unidade na luta das mulheres que já conta com o apoio sensível de elevado número de homens. “A gente percebe que os homens que aqui também participam dessa marcha se integram de corpo e alma, então já há uma mudança de mentalidade enorme no homem em relação a mulher e a mulher em relação ao homem e isso é muito importante para a construção de uma família saudável e de uma família que, de fato, vive a integração pai, mãe, filhos e vizinhos”.
Dentre as entrevistas, Stúdio Rural conversou com a agricultora Fátima Monteiro, residente no sítio Riacho do Meio de Queimadas e, ao dialogar com nosso público ouvinte, ela disse ter sido um evento de participação múltipla, mas garante que ainda há muitas mulheres oprimidas pelos seus companheiros. “Foi muito boa, muita gente compareceu, olha que não esperávamos que viesse esse público todo, mas graças a Deus veio. Tivemos muitos homens presentes apesar que a gente lutamos a semana toda nos sítios aqui de Lagoa Seca e ainda chegamos em casa de mulher que o marido disse assim: ninguém vai pra essa marcha, o que é que vai ver lá? Ainda tem muitas mulheres sofrendo como é o caso dessa peça do Biu que foi apresentada alí, o caso da Zefinha, da Margarida que é dominada pelo marido, onde o marido não deixa ela ir numa missa, não deixa ir numa associação, não deixa ir num sindicato. Então essa marcha de hoje veio puxar mais pra ver se as mulheres saem dessa vida tão triste que é a vida de Margarida. Porque eu também já passei por Margarida e hoje em dia estou livre”, diz aquela agricultora ao dialogar com nosso público ouvinte espalhado por toda nossa região semiárida nordestina. 
Paulo Pertsen é componente da ONG AS-PTA-RJ, participou do evento e de nossos programas radiofônicos falando sobre detalhes políticos do evento e garantindo tratar-se de um movimento que cresce a cada ano com uma compreensão de que a vida da agricultura familiar não pode se dissociar de uma série de lutas que são relacionadas a direitos humanos e que a negação do fato de que existe uma desigualdade entre homens e mulheres é uma das razões que tem bloqueado o avanço de uma sociedade mais democrática. Ele garante que mais que um grande número de participantes o evento trouxe para a praça pessoas e mentes preparadas a partir de uma ampla e prévia discussão comunitária. “É mais do que números, porque não é só a questão do número de pessoas, é que cada pessoa que está aqui sabe exatamente porque está aqui, porque debateu em sua comunidade, houve todo um processo de reflexão. Então não é pegar esse pessoal e botar num ônibus e trazer, é muito mais do que isso, então essas pessoas estão aqui com muita consciência porque são ideias que são colocadas em prática no dia a dia e isso faz a diferença num movimento como esse que é um movimento que é construído pedra sobre pedra, debate a debate, dia a dia e que aqui é só um momento de confraternização e de celebração de uma luta que é invisível, mas se faz no dia a dia lá nas comunidades”.
Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural
Foto: Rafael Tavares

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