Ação da ASA contempla 60 famílias excluídas da Barragem de Acauã na Paraíba

Numa ação do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) da ASA Brasil, Articulação do Semiárido Brasileiro, a comunidade Vila do Costa, no município de Itatuba, foi contemplada com a construção de 60 cisternas de placas com capacidade para 16 mil litros de água cada. A comunidade Vila do Costa é composta por cerca de 110 famílias de ex-agricultores e ex-agricultoras vitimados pelas águas da Barragem de Acauã e que desde o ano de 2002 foram colocados em pequenas residências construídas num terreno abandonado no meio da mata distante 19 quilômetros da cidade de Aroeiras e 29 quilômetros da cidade de Natuba sem menor condição de trabalho e geração de renda para a dignidade das famílias e com o projeto das cisternas, aquelas famílias passam a contar com, pelo menos, água para o consumo nas residências.

Aquelas famílias compõem um grupo de pessoas que perderam todos e ou parte de seus pertences em razão da inundação da barragem e a partir daí perderam sua capacidade de produção já que perderam o bem mais precioso para o produtor rural, a terra, e durante esses cerca de sete anos vivem parados no meio da mata sem geração de renda e alimentos.

Stúdio Rural visitou aquela comunidade e conversou com o representante do PATAC, Programa de Aplicação de Tecnologias Apropriadas às Comunidades, Valdir Cordeiro, representante da Comissão Pastoral da Terra, José Wellington Barbosa da Silva que visitaram a execussão da obra e conversou também com moradores do local que falam sobre as ações e sobre as perspectivas para aquela comunidade que vive sem ações governamentais.

Para o jovem Amauri Freire da Silva, expulso da terra na comunidade Pedro Velho, a vida dos moradores daquela comunidade mudou de forma drástica já que hoje não tem qualquer meio de produção e geração de renda o que tem levado as famílias a um verdadeiro desespero com a falta de trabalho e a distância das cidades associados a qualidade péssima das estradas. Ele disse que com as cisternas construídas pela ASA o quadro melhora já que as famílias passam a ter pelo menos onde colocar a água transportada pelo programa de carros pipas e mesmo o aproveitamento das águas de chuva.

José Mendes da Silva diz que trabalhava de forma permanente em sua propriedade na comunidade Junco e com a inundação da propriedade ficou num quadro de miséria absoluta já que desde 2002 não tem mais terra para o trabalho o que tem criado uma realidade desoladora para ele, a mulher e seus cinco filhos. “Aqui só quem tem uma coisinha é quem é aposentado que tem sua bolinha todo mês que o governo dar, mas quem não for aposentado sofre”, argumenta Mendes que perde sua esperança em razão das águas de Acauã e com a nova cisterna ganha a possibilidade de ter água de qualidade para o consumo familiar.

Outra entrevistada pela equipe Stúdio Rural, Gerusa Santana da Silva, disse que sem as cisternas a realidade era de desespero já que quando o carro pipa chegava as famílias tinham que colocar a água nos poucos vasilhames da própria casa o que fazia com a família recebesse água em quantidade insuficiente para aguardar a próxima passagem do carro pipa. Ela aproveitou para pedir atenção urgente e especial às autoridades responsáveis e garantiu que vivem sem nenhuma assistência em saúde, educação, agricultura dentre outras.

Stúdio Rural dialogou com a moradora Gerusa Barbosa da Silva, que residiu na comunidade Pedro Velho, município de Aroeiras. Ela disse ter sido expulsa pelas águas da barragem o que tem causado grande sofrimento para ela e a família durante esses sete anos já que ela está morando numa comunidade abandonada no meio do mato, longe de tudo e de todos. “É porque a gente vê que uma barragem tão próxima com tanta água e as pessoas aqui sem água, lá em Pedro Velho a gente tinha torneiras nas casas e é muito melhor tendo água encanada”, argumenta Gerusa relembrando com saudade a realidade que ela vivia mesmo estando mais longe daquele manancial. Ela disse que algo tem que ser feito pelas autoridades, caso contrário as pessoas perderão cada vez mais a esperança e o quadro poderá piorar.

O representante da Comissão Pastoral da Terra, José Wellington Barbosa da Silva, falou sobre o papel desempenhado por aquela comissão e disse que a situação é de preocupação já que aquela comunidade está desprovida de água e terra que são o suporte para a produção rural, responsável pela dignidade e qualidade de vida das famílias camponesas. “A situação das famílias que aqui estão é uma situação, para nós, bastante gritante porque eles deixaram tudo para trás, na verdade as águas da Barragem de Acauã cobriram parte dos valores que eles construíram e que aqui onde eles estão não tem condições de ser construídos”, lamenta a liderança com preocupação.

Já o representante da ONG Patac, disse que o projeto das cisternas faz parte do Programa da ASA Brasil, com recursos do governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social e afirma que a realidade daquela comunidade é bastante particular já que as ações da ASA se dão num processo de mobilização social e convivência com a realidade semiárida, ações que são complementadas com outras ações e atividades a exemplo de barragens subterrâneas, ações de suporte forrageiro dentre outras ações integradas impossíveis de serem realizadas naquela comunidade já que aqueles moradores não dispõem de terra para a produção. “A experiência vivida aqui no Costa é uma experiência muito particular, pra nós enquanto Unidade Gestora do Programa Um Milhão de Cisternas até onde nós temos conhecimento do conjunto das ações da Articulação do Semiárido paraibano, ela é uma situação particular porque você está pegando um aglomerado de pessoas com essa situação, não tem terra e não tem água que chegue até essa população nem que seja pra tomar um banho, lavar um prato, a forma de chegada de água é reduzida, o carro pipa quando vem as pessoas têm água limitada”, lamenta a representação ao longo de suas conversações com os moradores daquela comunidade e ao mesmo tempo momento em que faz uma verificação da fase conclusiva do projeto de beneficiamento da população.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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