Agricultores de Queimadas participam de reunião com Souza Cruz e dizem não ao plantio de fumo no município

O Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável(CMDRS)de Queimadas promoveu uma reunião de agricultores familiares e agricultoras daquele município com técnicos da Souza Cruz, empresa que busca produtores que se interessem em plantar fumo em suas unidades produtivas rurais e ao mesmo tempo empresa que se responsabiliza em vender o fuma através do cigarro que tem vitimado muitos seres humanos em todo planeta com doenças de câncer em diversas partes do corpo.

Durante a palestra na manhã da última quinta-fera(24/03) no auditório do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas o assessor da empresa Souza Cruz, Marcos Aurélio Almeida Lira e sua equipe, fizeram uma exposição sobre o objetivo da Souza Cruz em plantar fumo no Nordeste, sobre o plano de assistência técnica da empresa junto aos produtores que interessem plantar fumo no município, sobre o sistema integrado de produção da cultura fumageira, exigência no perfil do produtor, ciclo da cultura dentre outras informações. Marcos Aurélio informou que a empresa objetiva produzir fumos aromáticos com qualidade e preços competitivos com o mercado internacional criando novas aos produtores envolvidos no que chamaram de sustentabilidade.

Aquele representante da Souza Cruz disse que a empresa oferece condição de acesso ao crédito; financiamento de insumos e investimentos; assistência técnica gratuita; material técnico de apoio; melhor tecnologia; melhores práticas de conservação de solos e produção além da garantia de compra da produção, desde que atendida rigor das normas.

Conforme exigência da empresa o produtor terá que ter como perfil a capacidade de ter receptividade tecnológica; ter no mínimo de 3 a 4 pessoas adultas para trabalhar com a cultura do fumo; área disponível de 2 a 5 hectares para o plantio da cultura; restrição ao uso de mão-de-obra infantil; atender rigorosamente aos requisitos da companhia e encarar o fumo como a principal cultura da propriedade associando a diversificação de cultivos dentre outras exigências.

O secretário de agricultura de Queimadas, Jair da Silva Ramos, participou do evento e disse que o executivo vê a questão com preocupação já que trata-se de uma cultura que cauã inúmeras doenças na vida de quem produz e de quem consume o que ceva o município a ter que abrir amplo diálogo sobre a cultura. “Pelo o que o prefeito passou pra mim foi que não dava apoio nenhum a questão de incentivo ao plantio de fuma no município de Queimadas”, explica o secretário dizendo que a discussão acontece num espaço democrático e com a crítica sobre os riscos que apresentam a cultura.

O presidente do CMDRS daquele município, Emerson Wallace Campos Soares, participou do Domingo Rural deste domingo e disse que aquele conselho cumpre o papel de apresentar o tema ouvindo os técnicos da Souza Cruz e as famílias agricultoras e suas organizações que fizeram verdadeira exposição sobre a importância de se trabalhar cultura que alimentem a vida e não dê suporte a morte. “O pessoal de Lagoa Seca, de Montadas que já tem a experiência lá no município demonstrou bastante conhecimento em relação a isso”, explica.

Lucileide Alves Gertrudes, Leda, é assessora técnica da ONG AS-PTA e Pólo da Borborema, participou do encontro e falou sobre os perigos apresentados pela cultura e a importância da sociedade camponesa ter conhecimentos sobre a diferença entre um produto limpo e uma cultura que oferte risco de morte para quem produz e quem consome dentro e fora da agricultura. “O Pólo Sindical tem todo um trabalho baseado na agricultura familiar e agroecológica onde a gente possa estar de fato garantindo vida, garantindo a felicidade das famílias e o Pólo é sabedor, inclusive nós temos bastante acúmulo, pesquisas, foi feito reuniões, seminários onde a cultura do fumo ela não só trás problemas em relação a saúde da família, mas ela além de trazer grandes problemas para a saúde ela trás também a questão de tirar a autonomia da família, tira a liberdade da família, desestrutura a família, gera dependência econômica, ou seja, muitos agricultores e agricultoras que entraram na onda de plantar o fuma através da Souza Cruz hoje estão endividados, hoje estão com sérios problemas r muitos até querem sair e hoje não conseguem. Nós temos problemas de agricultores que adoeceram, de agricultores que tiveram problemas de pele”. Relata aquela assessora afirmando que o trabalho do Pólo tem se deparado com os objetivos da Souza Cruz em querer entrar com o fumo enquanto cultura de vida e o Pólo tem essa meta como uma realidade de enfrentamento para mostrar que uma cultura que usa venenos na produção colocando em risco a vida do produtor e gera os mais diferentes tipos de cânceres na vida de quem consome não pode ser apresentada como cultura que gere sustentabilidade.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Queimadas, Maria Anunciada Flor Barbosa Morais disse que o fumo jamais poderia ser recebida pelas famílias agricultoras como cultura de vida a exemplo das culturas tradicionais trabalhadas na agricultura familiar de todo aquele e outros municípios de cada região. “Nós temos trazido esse debate, inclusive o Pólo Sindical tem tido um papel muito importante quando nós já temos experiências mal-sucedidas de agricultores em levantamentos que foram feitos e isso tem sido positivo para essas reuniões. Nós mostramos a realidade daqueles agricultores que foram vítimas, que foram enganados, acharam que iam ter vantagens em cima do projeto apresentado pela Souza Cruz e depois pra sair foi um problemão já que depois que o agricultor assina um contrato ele tem que cumprir com aquele contrato e tem todo um envolvimento da família com o trabalho da cultura de fumo, as outras culturas vão ficando prá trás porque eles têm que ter toda uma dedicação aquela cultura, as criações por exemplo eles já não vão ter mais aquele tempo de cuidar das criações porque tem todo um tempo dedicado a cultura e envolvendo até crianças”.

Paulo Medeiros Barreto é diretor presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra de Santana, município visinho que já se vê ameaçado pelo interesse da empresa Sousa Cruz e diz que ao ter tido oportunidade de ver a realidade de famílias agricultoras no município de Santa Rosa de Luna, Santa Catarina. “Além de você está ficando refém, escravo de uma empresa, você vai está acabando com a sua cultura que você precisa dela no dia a dia e você vai está ajudando a contaminar o mundo com o fumo”.

Já o assessor da Empresa Souza cruz, Marcos Aurélio Almeida Lira, disse preferir não comentar as opiniões dos entrevistados já que não tinha autorização para conceder entrevistas aos órgãos de comunicação.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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