Patac e Embrapa visitam experiência do Coletivo com algodão agroecológico no Cariri de Soledade

A ONG Patac em parceria com a Embrapa Algodão realizaram visita aos campos produtivos de agricultores familiares do Coletivo Regional de Educação Solidária do Cariri, Seridó e Curimataú com algodão agroecológico.

A visita aconteceu na tarde da última terça-feira,(09/09) na comunidade Lajedo do Timbaúba, propriedade do agricultor Antônio Bento e Maria do Socorro Barbosa e em seguida no Assentamento Santa Tereza no mesmo município, experiência do casal agricultor Jailson Nunes de Arruda e Josefa Geane Barbosa de Arruda.

Stúdio Rural acompanhou as ações conversando com as famílias produtoras, com o pesquisador da Embrapa Melchior Batista e com o representante do Patac, Emanoel Dias que falaram para os ouvintes do Programa Esperança no Campo da Rede Esperança de Rádios composta pelas Rádios Cidade de Esperança, Rádio Jornal de Sousa e Rádio Bonsucesso de Pombal e aos ouvintes do Programa Domingo Rural em Rede, composição compartilhada entre a Rádio Serrana de Araruna, Rádio São José do Egito e Rádio Independente do Cariri sobre a forma de produção, sobre os resultados alcançados e sobre as expectativas para a safra do próximo ano que, segundo o representante da ONG Patac, envolverá mais famílias de agricultores e agricultoras interessadas na produção diversificada e agroecológica.

“A gente está iniciando, não é Tavares? É só um teste agora, mas daqui a um ano quando as coisas melhorarem a gente vai começar produzir. Hoje a gente só tem oito hectares, mas a tendência é passar de dez e a gente continuar produzindo como antes”, disse o agricultor familiar, Antônio Bento, esclarecendo que já plantou a cultura no passado mas, deixou de produzir em razão do ataque da praga do bicudo e da desvalorização do produto, acreditando que com as novas formas e manejo será possível retomar a produção de forma economicamente viável. “A gente trabalha com diversidade, a gente trabalha com algodão, milho, sorgo, gergelim, girassol, amendoim e a mulher inventou até de plantar coentro aqui no Cariri e deu bom esse ano”, complementa, estimando produzir uma média de 500 a 600 quilos por hectare que associado aos diversos produtos agrícolas são satisfatórios para a família.

A agricultora Maria do Socorro Barbosa, esposa de Bento, falou sobre a importância de se voltar a plantar a cultura consorciada com inúmeras outras já trabalhadas na prática agrícola e diz que nada seria possível sem o apoio das entidades Patac e Coletivo Regional de Educação Solidária do Cariri, Seridó e Curimataú que, com o apoio da Petrobrás, vêm acompanhando de forma permanente as famílias e a cada dia testando junto a elas novas tecnologias adaptáveis ao clima e solos da região. “Estou achando muito interessante, já fazia oito anos que a gente plantou algodão aqui, tinha perdido e a gente achava que tinha acabado agricultura, porque na agricultura o que existe é o algodão que é sempre quem dá no final do ano uma roupa para o menino, para a família, e pagar uma conta, principalmente o agricultor que trabalha no campo está sempre devendo e o algodão sempre é quem ajuda o agricultor porque se planta milho, feijão e tudo, mas é para o consumo da casa e para os animais”, esclarece a agricultora.

Para o pesquisador da Embrapa Algodão, Melchior Batista, a produção diversificada tem mostrado a eficácia para se ter resultado e diz que os resultados já trabalhados pela entidade de pesquisa em parceria com as entidades de agricultores na região do Curimataú paraibano tem sido referência para se obter sucesso em diversas outras microrregiões da Paraíba e de outros estados da região semi-árida nordestina, lembrando que as práticas de plantio na mesma época, colheita e arranquio das socas do algodão ao final da safra fazem com que na safra seguinte as populações do bicudo dentre outras pragas se iniciem em desvantagem para com a prática agrícola das famílias agricultoras. “Pra o bicudo todo cuidado é pouca, mas como você observou lá no campo, o bicudo apareceu depois da maioria das maçãs estarem formadas, quando as maçãs estão formadas o ataque do bicudo não é tão prejudicial á cultura e é isso que no sistema agroecológico a gente tem preconizado, fugir do bicudo através da época de plantio, do espaçamento, pra que não cause dano e você não precise usar veneno que prejudica tanto a saúde como também é caro para o agricultor”, argumenta o pesquisador, dizendo que sem as práticas de destruição dos restos culturais a praga já se inicia em alta na safra posterior.

Já o agrônomo do Patac, entidade que acompanha famílias de agricultores na região do Cariri, Seridó e Curimataú, Emanoel Dias, disse que o grande objetivo atual é trabalhar com as famílias de agricultores a reintegração da cultura do algodão de forma agroecológica nas propriedades dos agricultores familiares onde vem sendo feito um trabalho compartilhado de agricultor para agricultor e onde ele próprio(agricultor) expressa como está manejando seu sistema, como está trabalhando a cadeia produtiva entre culturas variadas e que as trocas de experiências são de fundamental importância para a retomada da cultura já que para o processo de convivência com a praga do bicudo os agricultores terão que adotar práticas e manejos sintonizados. “Ainda são poucas famílias mas são resultados favoráveis, nós no momento ainda não temos a quantidade de produção por hectare mas isso será em breve porque está começando a primeira catagem do algodão, mas a idéia é que daqui a uns 15 a 20 dias todo o algodão seja colhido. Então pelo que estamos vendo, mesmo tendo acontecido um ano de muito alagamento e que em muitos casos poderia até favorecer o ataque do bicudo, mas você pode perceber que as nove famílias que plantaram algodão aqui na região do Cariri estão tendo esse resultado satisfatório que a gente está vendo aqui com esse trabalho”, argumenta Dias.

De Lajedo de Timbaúba, as representações seguiram ao Assentamento Santa Tereza, propriedade do casal, Jailson Nunes Arruda e Josefa Geane Barbosa Arruda, onde avaliaram, junto aos componente familiares, os resultados alcançados nesta safra 2008, com uma experiência de cerca de um hectare da cultura consorciada com culturas tradicionais da agricultura familiar.

Ao conversar com os ouvintes das emissoras parceiras de Stúdio Rural, o agricultor Jailson Nunes disse está satisfeito com os resultados e que continuará discutindo junto às entidades de agricultores sobre as práticas adaptáveis á serem adotadas no plantio, afirmando que baseado nos resultados alcançados nesta safra aumentará a área plantada com a cultura no próximo ano agrícola. Ele disse que o bicudo só apareceu no final da safra e que com o aparecimento do inseto, ele fará o processo de arranquio e uso dos restou culturais para evitar o fortalecimento do inseto e a transformação em praga no ano seguinte.

Quem também dialogou com Stúdio Rural foi a agricultora, Josefa Geane Barbosa Arruda que disse ter trabalhado no passado e que estará acompanhando as discussões junto ao Coletivo Regional de Educação Solidário do Cariri, Seridó e Curimataú em parceria com o Patac objetivando adquirir informações de convivência com o inseto dentre outras ações de importância para o processo produtivo. “Graça ao Coletivo é que a gente conseguiu fazer com que essas pessoas se reunissem, fossem ver o projeto de algodão em Remígio no qual eu não pude ir mas mandei dona Socorro minha mãe ir, aí ela chegou e disse como era e disse: vamos ver se vai dá certo. Aí teve outro encontro do Coletivo que foi no Lajedo do Timbaúba pra discutir como fazer e ficou certo pra o pessoal do Assentamento ir e então eles se interessaram e resolveram plantar”, relembra Geane.

Fonte : Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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