Um quilo de milho, um de feijão e meio de sorgo do governo recebe críticas na base da agricultura paraibana

O propalado programa de distribuição de sementes do governo paraibano para com a agricultura familiar do estado está condicionado a 01 quilo de milho, 01 de feijão e meio quilo de sementes de sorgo para cada família responsável pela produção camponesa, segurança alimentar da família e a geração de trabalho e renda no meio rural paraibano.

A baixíssima quantidade ofertada pela política pública do governo paraibano já começa a gerar insatisfação no meio rural por parte das famílias, das lideranças de entidades representativas e por componentes de territórios rurais ainda existentes no semiárido da Paraíba.

Stúdio Rural conversou com representações da agricultura familiar de diversas bases territoriais do interior do estado que contestam a ação do governo enquanto política pública destinada ao mundo rural paraibano e garantem que chega ferir e insultar a dignidade da agricultura familiar estadual.

“Eu acho uma humilhação para a agricultura familiar, o governo já sabe que a agricultura familiar é uma atividade sofrida e distribui um quilo de semente de feijão, um quilo de semente de milho e meio quilo de semente de sorgo. Me diga se a agricultura familiar cria cinco vacas, vinte cabras e quinze ovinos, se com meio quilo de sorgo ele vai conseguir produzir ração para esses animais comerem os oito meses do período de seca do nosso estado?”, questiona o agricultor em Barra de São e componente do Território Cariri Oriental, José Mário da Silva, ao dialogar com Stúdio Rural.

“Essa política é praticamente inviável porque o agricultor tem de 0,6 até 05 hectares para ter direito ao Garantia Safra e o governo oferece uma quantidade dessa de semente, acho melhor nem oferecer”, explica o coordenador do Território do Cariri Oriental, Krísteny Chaves Leite, dizendo que é inviável o agricultor sair de comunidades rurais distantes da sede do município para buscar esse produto e que as famílias só se submetem a política governamental em razão da necessidade de apresentar o boleto de recebimento na hora de recorrer aos direitos previdenciários e na busca futura de pensões e aposentadorias.

“O agricultor terá que ter, no mínimo, uma complementação pra poder alcançar o exigido pelo Programa Garantia Safra”, explica o agrônomo e assessor técnico da Empaer do município de Caraúbas, Cariri Oriental, Genilson Bezerra de Brito, assegurando que a extensão rural está assessorando para que essas famílias superem entraves e alcancem resultados positivos na safra.

“A quantidade é pouca, porque a gente distribui a semente pra procurar atender o pessoal do Garantia Safra e nisso dá menos de dois quilos por família”, explica o gerente da Empaer regional Serra Branca, Cariri Ocidental dizendo que a semente de sorgo será trabalhada com aquele produtor que venha fazendo um trabalho com geração de ração para a silagem animal.  

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural

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