Cooperativismo em economia solidária proporciona energia Solar na agroindústria do sertão paraibano

Famílias agricultoras de municípios da região de Matureia, Sertão paraibano, estão em plena articulação para a execução de um projeto de geração de energia solar numa dinâmica de cooperativismo solidário e que visa gerar energia e proporcionar energia para a implementação de empreendimentos que passem a trabalhar agregação de valor aos produtos da agricultura familiar na região.

O tema foi evidenciado no Programa Domingo Rural da Rádio Serrana de Araruna a partir de entrevista com o professor do IFPB/João Pessoa, Walmeran José Trindade Júnior, que faz parte do conjunto de entidades apoiadoras de ações estruturadoras da agricultura familiar daquela região sertaneja. “Trata-se de uma ação de um projeto que estamos encaminhando de construir uma cooperativa de compartilhamento de energia solar fotovoltaica, faz parte de um projeto maior que a gente vem desenvolvendo desde o ano passado na região de Patos com apoio da Misereor que é uma entidade da Alemanha, junto com o Fórum Mudanças Climáticas de Justiça Sócio Ambiental e os parceiros locais numa Ação Social Diocesana de Patos e o CEPFS que entrou numa parceria por essa cooperativa, e o objetivo dela é a gente mostrar como utilizar energia renovável descentralizada de pequena escala que produzam novos impactos ambientais e, por outro lado, trazer benefícios sociais, econômicos e ambientais com um novo jeito de se ter energia elétrica de forma coletiva numa cooperativa”, explica o professor em contato direto com o público ouvinte da Rádio Serrana de Araruna via Programa Domingo Rural.

Walmeran explicou tratar-se de um empreendimento com pouco mais de 200 placas solares que beneficiarão cerca de 40 famílias da região. “Nessa cooperativa não vai haver compra e venda de energia, vai haver a geração de energia com um rateio dessa geração de energia entre os sócios cooperados”, explica Walmeran Trindade assegurando tratar-se de um projeto novo com investimento superior a R$ 100 mil reais. “Temos uma particularidade nesse empreendimento: como ele é algo novo já que é um projeto piloto, nós estamos acreditando nessa ideia, buscando implementa-la, a gente já está próximo de fazer a assembleia de constituição da cooperativa, a gente acredita que agora em novembro já vai estar fazendo essa assembleia, então o empreendimento tem uma particularidade, a gente quer que ele seja um modelo de cooperativa de compartilhamento para que as pessoas compreendam e acreditem na ideia da inserção da energia solar fotovoltaica na economia solidária que nós chamamos de economia solidária solar”, explica detalhando o conjunto de entidades e pessoas incluídas na equipe de apoio para que o empreendimento seja executado. “A gente está trabalhando na ótica da economia solidária no sentido dessa cooperativa subsidiar os custos energéticos nos processos produtivos dos pequenos empreendimentos porque sabe-se ser uma coisa crítica, vamos tomar como exemplo muito comum no nosso sertão, uma agroindústria de fabricação de polpa de frutas. A maior dificuldade desse tipo de empreendimento é o custo da energia elétrica pra manter o frízer funcionando pra manter as polpas congeladas, e muitas vezes nós desperdiçamos ou deixamos de aproveitar uma boa safra de cajá ou de umbu porque não conseguimos processar a tempo porque não temos como armazenar nem a fruta nem a polpa”, explica justificando que a partir de então as famílias agricultoras poderão aproveitar e agregar valores a produção rural local.

A cooperativa nasceu a partir do projeto “Cuidando da Nossa Casa Comum” que faz parte do Comitê de Energia Renovável do Semiárido (CERSA) e tem como parceiros o Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental, a Cáritas Brasileira, a Frente Por Uma Nova Política Energética Pra o Brasil e recebem o apoio da Misereor e Ação Social Diocesana de Patos.

Fonte: Stúdio Rural / Programa Domingo Rural / CERSA

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